Conseguiram vender arrozais, pinheiros, cavalos, areia e mosquitos como se fosse a Riviera francesa com consciência ambiental.
E atenção: a Comporta é bonita. Tem praias excelentes, um campo de golfe muito bom e alguns empreendimentos realmente interessantes. O problema é a narrativa.
Porque, segundo o marketing, aquilo não é uma zona húmida cheia de mosquitos. É natureza em estado puro. Se levares três picadas numa perna, não foste atacado: fizeste acupunctura orgânica.
E o mais engraçado é que o lifestyle que a Comporta vende existe no Minho há séculos e ninguém se lembrou de lhe pôr uma agência imobiliária em cima.
Ponte de Lima e Viana do Castelo têm cavalos, quintas, agricultura, vinho, mar, montanha, gastronomia, golf, festas populares e casas onde realmente viveram pessoas antes de aparecer o primeiro private equity fund.
E ainda tens Porto, Braga e a Galiza ali ao lado.
No fundo, a Comporta vende a ideia de fugir da cidade. No Norte, a cidade é que é opcional.
Acho que conseguiram vender muito bem a Comporta. Tão bem que há gente convencida de que descobriu a natureza porque comprou uma casa de 2 milhões de euros ao lado de um arrozal.
Se tivesse de resumir:
Comporta é uma espécie de St. Tropez portuguesa.
Bonita, cara e com uma quantidade impressionante de pessoas a explicar-te porque é que é exclusiva.
Ponte de Lima e algumas zonas de Viana e Arcos pode ser outra coisa.
Mais Gstaad.















