Associações humanitárias de vários distritos, incluindo Braga, alertam para o impacto financeiro da escalada de preços na sustentabilidade do socorro.
Associações humanitárias de bombeiros de vários pontos do país estão a aumentar a pressão sobre o Governo perante a escalada dos preços dos combustíveis. Braga, Vila Real, Lisboa e Setúbal estão entre os distritos que alertam para o impacto financeiro e para o risco de os custos crescentes condicionarem a capacidade operacional das corporações.
A contestação ganhou dimensão nacional nos últimos dias. A própria Liga dos Bombeiros Portugueses, através de António Nunes em declarações ao E24, já tinha alertado o secretário de Estado da Proteção Civil para o efeito dos sucessivos aumentos, considerando que estes estão a afetar a sustentabilidade financeira das associações e a capacidade operacional dos corpos de bombeiros.
No distrito de Braga, a Federação dos Bombeiros considera que não pode ser exigida uma resposta crescente das corporações quando os recursos disponíveis são cada vez mais pressionados. Os custos com combustível têm impacto direto não apenas nas operações de socorro e combate a incêndios, mas também no transporte de doentes e nas restantes deslocações asseguradas diariamente pelas associações.
Também a Federação de Vila Real alertou para um quadro financeiro já fragilizado pelo subfinanciamento e pelos atrasos nos pagamentos de serviços prestados por entidades públicas. Apesar das dificuldades, não é colocado, para já, em causa o socorro no distrito.
Em Lisboa, a federação distrital considera «insustentável e inaceitável» que as associações continuem a suportar integralmente os sucessivos aumentos dos combustíveis, defendendo uma atualização dos mecanismos de financiamento em função da evolução real dos custos operacionais.
A situação repete-se em Setúbal, onde a federação distrital reclama medidas que permitam compensar o aumento das despesas e chama igualmente a atenção para apoios e pagamentos em atraso.
Apoio anterior chegou aos 360 euros por veículo pesado
O problema não é novo. Em março, perante a crise energética, o Governo criou um apoio extraordinário às associações humanitárias de bombeiros. O mecanismo previa 360 euros por cada veículo pesado e 120 euros para os restantes veículos, valores calculados tendo como referência uma compensação de dez cêntimos por litro durante três meses.
O regime abrangeu veículos de socorro, combate a incêndios e transporte de doentes, mas vigorou inicialmente entre 1 de abril e 30 de junho.
Agora, com os preços novamente sob pressão, as corporações querem uma nova resposta.
E essa resposta poderá chegar já nos próximos dias. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou que o próximo Conselho de Ministros deverá decidir medidas dirigidas, entre outros setores, às associações humanitárias sob tutela da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), depois de o Executivo ter prolongado até 31 de dezembro o apoio extraordinário de dez cêntimos por litro ao gasóleo agrícola.
Até lá, os bombeiros deixam um aviso comum de norte a sul: o aumento do combustível não representa apenas mais uma despesa nas contas das associações. Para estruturas obrigadas a manter viaturas permanentemente disponíveis, pode transformar-se num problema para a sustentabilidade de um serviço essencial às populações.















