A estratégia assente no conceito “Created in Barcelos” prevê cinco novas áreas de acolhimento empresarial, a criação de um Parque Tecnológico Urbano e uma forte aposta na inteligência artificial e no design.
O Theatro Gil Vicente acolheu este aniversário de perspetivas económicas a sexta-feira, 9 de outubro de 2026, para a realização do Fórum Económico 2035. O evento ficou assinalado pela apresentação pública do Plano Estratégico de Desenvolvimento Económico do Concelho de Barcelos, um instrumento desenhado para acelerar a transição da tradicional capacidade de fabrico para uma economia focada no valor acrescentado, na inovação e em salários mais elevados.
Na sessão de abertura, o Presidente da Câmara Municipal de Barcelos, Mário Constantino Lopes, enfatizou a ambição de transformar a base produtiva do concelho sem abdicar do seu ADN industrial:
“Não queremos abandonar aquilo que somos. Queremos evoluir a partir daquilo que somos. O verdadeiro sucesso desta estratégia não será medido apenas pelo número de empresas que conseguirmos atrair ou pelo volume de investimento que formos capazes de mobilizar. Será medido pela capacidade de melhorar a vida das pessoas.”
A iniciativa contou com a participação do Secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, que alinhou a visão municipal com as prioridades nacionais e europeias, nomeadamente a simplificação administrativa para o tecido empresarial, a aposta contínua na inovação e o reforço da capacidade de internacionalização das PME.

No plano das infraestruturas e ordenamento do território, Mário Constantino Lopes anunciou que a revisão em curso do Plano Diretor Municipal (PDM) contempla a criação de cinco novas áreas de acolhimento empresarial.
Outro dos eixos motores do plano é o projeto Barcelos Smart Digital and Design Hub, desenvolvido em parceria estratégica com a Universidade Politécnica do Cávado e do Ave (UPCA). Esta estrutura tecnológica, com intenção de aprovação já emitida, vai focar-se na transferência de tecnologia nas áreas do design industrial, digitalização e inteligência artificial.
O estudo prévio e diagnóstico que fundamenta o plano estratégico foi apresentado por João Cerejeira, docente e investigador da Universidade do Minho. O relatório salienta que, apesar da elevada maturidade exportadora de Barcelos, persistem assimetrias nos níveis de produtividade e remuneração face à média nacional, o que contrasta com a crescente qualificação dos jovens locais.
Para reverter esta tendência, a matriz do conceito “Created in Barcelos” desdobra-se em cinco agendas prioritárias até 2035:
- Talento e qualificações: Criação de sinergias entre a academia e as empresas locais para reter os jovens qualificados;
- Inovação e internacionalização: Estímulo à criação de marcas próprias e à evolução na cadeia de valor;
- Atratividade e investimento: Criação de uma Agência Municipal de Desenvolvimento Económico e de um Parque Tecnológico Urbano na proximidade da UPCA;
- Transformação digital: Integração de processos inteligentes nas PME industriais;
- Valorização territorial e cultural: Articulação do património e do ecossistema criativo com a economia do concelho.
O encerramento dos trabalhos contou ainda com a mesa-redonda “O Desenvolvimento 360° de Barcelos”, moderada por João Cerejeira e que reuniu a Vice-Presidente da CCDR-N, Maria José Fernandes, a Reitora da UPCA, Alexandra Malheiro, o professor da Universidade de Aveiro Carlos Costa e o empresário e investidor João Miranda.














