O défice de produtividade de 22% explica a disparidade salarial no concelho, aponta o estudo de diagnóstico do Plano Estratégico 2026-2035 elaborado pelo investigador João Cerejeira.
Os trabalhadores do concelho de Barcelos auferem, em média, 1.267 euros por mês, um valor que fica 299 euros abaixo da média nacional, fixada nos 1.576 euros. Os dados foram apresentados pelo investigador da Universidade do Minho, João Cerejeira, no âmbito do Plano Estratégico de Desenvolvimento Económico de Barcelos para o horizonte 2026-2035.
A assimetria nos rendimentos é fundamentada pelo défice de produtividade, que no concelho se situa 22% abaixo da média do país. Curiosamente, o relatório assinala que a produtividade barcelense supera a fasquia nacional em setores tradicionais específicos, designadamente na agricultura e produção animal (140%), na indústria do vestuário (117%) e na construção civil (104%).
No entanto, o perfil económico do concelho apresenta fragilidades estruturais decorrentes da fraca diversificação. Embora o volume de exportações ultrapasse os mil milhões de euros, cerca de 77% do total das vendas ao exterior está concentrado na fileira do têxtil e do calçado, o que expõe o tecido produtivo local a choques externos e à perda de competitividade.
O estudo destaca o contraste entre a remuneração média e o nível de instrução das novas gerações: 87% dos jovens barcelenses entre os 20 e os 29 anos possuem o ensino secundário ou superior. O principal desafio para a próxima década passa por criar um ecossistema que evite a fuga deste talento qualificado para outros centros urbanos ou para o estrangeiro.
A Agenda “Barcelos 2035” e a Retenção de Talento
Para inverter o fosso salarial e aumentar o valor acrescentado da indústria local, o plano traça cinco eixos de ação estratégica:
- Talento e Qualificações: Posicionar Barcelos no topo das cidades de média dimensão nacionais com maior capacidade de atração e fixação de empreendedores e jovens qualificados;
- Inovação e Internacionalização: Fomento de marcas próprias e evolução nas cadeias globais de valor;
- Atratividade e Investimento: Criação da Estrutura de Missão Barcelos 2035, no âmbito da Agência de Desenvolvimento Económico (ADEMB);
- Transformação Digital: Apoio à transição tecnológica nas Pequenas e Médias Empresas (PME);
- Cultura, Território e Inovação: Articulação das artes, património e conhecimento na qualificação da economia.
O Presidente da Câmara Municipal de Barcelos, Mário Constantino Lopes, sublinhou a importância de ancorar o projeto no conhecimento científico, garantindo uma forte articulação entre o ecossistema empresarial, a Universidade Politécnica do Cávado e do Ave (UPCA) e a Universidade do Minho.













