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e24 > Notícias > Opinião > Autoeuropa/Volkswagen: Como evitar um possível acidente?
Opinião

Autoeuropa/Volkswagen: Como evitar um possível acidente?

Manuel Pereira
2 de Outubro de 2026 00:08
Manuel Pereira
3 semanas atrás
1 comentário
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5 minuto(s) de leitura
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Manuel Pereira membro do Bloco de Esquerda
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A despreocupação com a Autoeuropa está a preocupar-me.

Nestas última semanas a Volkswagen anunciou aquilo que muitos já antecipavam: a empresa vai atravessar dificuldades nos próximos tempos.

4 fábricas que podem vir a ser encerradas, possibilidade de 100 mil postos de trabalho eliminados até 2030, eliminação de uma marca e o aviso claro que as vendas vão cair e o número de modelos terão de cair.

Até aqui, um cenário que não nos pode ter surpreendido.

O salto para a eletrificação com o PRR correu mal, foi um erro, porque na minha humilde opinião apontamos o caminho para uma tecnologia que a Europa não dominava ao contrário da China e por isso é hoje normal que os veículos chineses tenham chegado e convencido, já em 2022 venderam cerca de 50.000 veículos em toda a UE e este ano já vamos em 200.000, juntando a isto o facto das marcas europeias não terem lido tão bem o cliente atual (somos cada vez mais de renting em vez de compra) e fundamentalmente não fizeram a compressão de preço para serem competitivos na relação preço/qualidade em relação aos construtores chineses.

E a Volkswagen foi uma das grandes afetadas: As marcas chinesas conseguem competir em todos os seus segmentos, dominam o mercado interno chinês e claramente ainda está fora da corrida na eletrificação.

E então como fica a nossa Autoeuropa neste cenário cinzento?

Inicialmente, e mais importante, temos um dos elementos do consórcio com muitas dúvidas sobre o seu próprio futuro em termos comerciais, o que nos diz que aquilo que podemos esperar em termos de produção (e postos de trabalho) não estão asseguradas.

Temos depois dúvidas sobre o número de modelos que a Volkswagen terá, o que uma vez mais nos diz que não existe total segurança naquilo que serão as necessidades em termos de produção (e postos de trabalho) a curto e médio prazo.

Em paralelo, temos assistido a uma migração de locais de produção automóvel de diversos construtores para o Magreb, com especial foco em Marrocos e Argélia, onde parte dos custos e produção são mais baixos, como alguma da legislação laboral e ambiental não é tão apertada como em solo europeu.

E o pior de tudo, a Volkswagen está neste momento com eleva disponibilidade para fazer cortes altamente impactantes na sua operação e produção, assumindo que fará o que seja necessário para manter a empresa viável.

É um cenário com muitas dúvidas, como muitas incertezas e com muitos fatores que podem correr mal, o que me sugere que num futuro próximo possamos ter decisões por parte da administração da Volkswagen que impactem de forma significativa a Autoeuropa, da redução de turnos a um encerramento, e que afete o maior exportador português e não pensemos que é um processo que demore muito tempo, lembremo-nos só da Renault Setúbal.

Nem no melhor cenário as coisas ficarão como estão hoje.

Por isso, fica a pergunta: o que faremos para evitar este possível acidente?

Queremos iniciar um processo de reconversão/atualização de todos aqueles que lá trabalhavam hoje aproveitando todo o know-how que foi ganho? Iniciar um processo de atração de indústrias para Palmela que no espaço de 2 ou 3 anos consigam absorver estas pessoas?

Queremos redesenhar o capital da Autoeuropa e fazer dela uma fábrica montadora por contrato de automóveis e não estarmos dependentes de uma única marca (como o caso da Magna Steyer na Áustria)?

E agora um sonho antigo: E porque não começar finalmente a discutir uma marca automóvel portuguesa?

A Autoeuropa é demasiado importante para a economia portuguesa para que o seu futuro seja tratado como uma questão exclusivamente empresarial.

Lembram-se do “Pedro e o Lobo”? O problema não é saber se o lobo vem. É garantir que, quando chegar, não nos encontra de mãos vazias.

ETIQUETAS:autoeuropaEconomiaempregoopiniãoprincipal

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1 comentário 1 comentário
  • Pedro Madeira diz:
    5 de Outubro de 2026 às 07:25

    Realmente a VW atravessa um periodo cinzento com alguns problemas internos e problemas de passado que ainda hoje fazem mossa. No entanto esta notícia revela algum desconhecimento do que está a acontecer hoje na Autoeuropa.
    Neste momento a fábrica produz cerca de 1000 carros/dia a produzir 2 modelos que sao eles o Troc mild hybrid e o troc hybrid, para o ano que vem vai sair o ID1 que ja esta em testes.-
    Além disso está em curso uma das maiores modernizacoes que a fábrica recebeu ate aos dias de hoje com forte investimento por parte da Vw com a construção de uma nova pintura á parte da modernização do body e da montagem com várias melhorias também em curso.
    Outra coisa que este artigo nao fala é que a Autoeuropa não é uma montadora de peças tal como a Renault de Mangualde. A autoeuropa também produz peças para outros modelos do grupo vw porque tem prensas.

    Responder

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