Os autarcas de Barcelos, Guimarães, Famalicão, Viana e Braga uniram forças com o Executivo para responder à crise do setor, responsável por metade da produção nacional.
O Município de Barcelos acolheu esta sexta-feira, 9 de outubro de 2026, no âmbito do Fórum Económico 2035, uma reunião de trabalho de emergência promovida pelo Pentágono Urbano. O encontro juntou representantes do Governo, dirigentes da administração pública, autarcas do Quadrilátero e do Alto Minho e dezenas de empresários para definir estratégias de salvaguarda dos setores têxtil, do vestuário e do calçado.
A cimeira regional contou com a participação do Secretário de Estado da Administração Local, Silvério Regalado, do Presidente da Câmara Municipal de Barcelos, Mário Constantino Lopes, e dos líderes executivos dos municípios de Guimarães, Vila Nova de Famalicão, Viana do Castelo e Braga, demonstrando a concertação política do eixo urbano do Cávado, Ave e Minho.
O enquadramento macroeconómico foi apresentado pelo investigador João Cerejeira, da Universidade do Minho, que apresentou dados demonstrativos do peso da região: os cinco concelhos do Pentágono Urbano concentram cerca de 50% da atividade nacional do setor têxtil, vestuário e calçado.
Na abertura dos trabalhos, o autarca barcelense, Mário Constantino Lopes, chamou a atenção para a forte pressão económica que ameaça o ecossistema industrial da região:
“Reconhecemos o contributo de sucessivas gerações de empresários e trabalhadores para a afirmação de um tecido exportador ímpar, mas a crescente concorrência internacional, os custos da energia, a retração do consumo e as exigências da transição digital e ambiental exigem uma resposta urgente. A dimensão destes setores exige uma atuação concertada e o Pentágono Urbano é a plataforma certa para essa cooperação.”
O Secretário de Estado da Administração Local, Silvério Regalado, garantiu a disponibilidade do Governo para desburocratizar processos e alinhar os incentivos públicos às necessidades reais das empresas. A sessão técnica contou com contributos de dirigentes do IAPMEI (Nuno Gonçalves), COMPETE 2030 (Henrique Figueiredo), AICEP (Hélder Martins) e Direção-Geral da Economia (Marta Lima Basto).
Durante o debate, os empresários sublinharam que as margens operacionais estão a ser esmagadas pela concorrência desleal de mercados externos com menores exigências ambientais e laborais, defendendo a ativação célere dos fundos do Portugal 2030 para modernização tecnológica e ganhos de escala.
No encerramento das declarações à imprensa, Mário Constantino Lopes reforçou a urgência de manter os postos de trabalho e qualificar a produção, assegurando que as propostas recolhidas durante o Fórum serão remetidas ao Governo para a definição de novas medidas de apoio à indústria do Minho.














