Cristiano Ronaldo, 25 anos a provar que a meritocracia funciona até descobrir que nem o melhor trabalhador decide quando deixa de ser necessário.
Em 30 minutos, enquanto aquecia ao lado campo e não saía do boanco ao fim de 18 anos, CR7 descobriu as falhas da meritocracia e descobriu Marx.
Acham que é exagero? Vamos a isto.
Ronaldo levou toda a uma carreira com o pensamento que trabalhando mais, rendendo mais, vencendo mais teria igual ou mais direitos mas apercebeu-se que esse rendimento passado não lhe garante o lugar no presente.
CR7 descobriu aquilo que Marx desmontou há anos, a ideia de que uma distribuição baseada simplesmente numa medida igual de trabalho produz verdadeira igualdade porque essa suposta igualdade contém desigualdade em si, porque os trabalhadores têm capacidades, condições e necessidades diferentes e estão subordinados à necessidade atual.
Camarada Ronaldo, a meritocracia funciona enquanto o mérito que tens coincide com aquilo que o sistema precisa de ti.
Ronaldo é hoje o maior goleador e o mais internacional na Selecção Nacional de sempre e foi muitas vezes o elemento mais importante em campo nas vitórias alcançadas.
CR7 descobriu então a teoria de Marx que apesar de ter sido um trabalhador exemplar da Selecção Nacional, esta não lhe pertence e que apesar de todos os sacrifícios e esforços feitos em prol dela, não têm o destino da organização a que pertence, tendo agora a ideia clara dos limites do seu mérito individual na capacidade de influenciar esta organização colectiva.
Camarada Ronaldo, num sistema neo-liberal os meios de produção nunca pertencem aos trabalhadores logo não influenciam verdadeiramente a organização coletiva.
Ronaldo foi muitas vezes fulcral para qualificações e boas classificações mas viu naquela semana que o seleccionador não precisou dele para a Selecção Nacional se apurar para a fase seguinte da Liga das Nações.
CR7 descobriu então que tal como Marx defendia, quanto mais os meios de produção não pertencem ao trabalhador e quanto menor for o poder de decisão do trabalhador sobre a organização colectiva a que pertence menos qualificações do trabalhador são requeridas para a produção continuar, logo descobriu uma verdade terrível para qualquer meritocrata: até o melhor trabalhador pode deixar de ser indispensável.
Camarada Ronaldo,o trabalhador não controla o processo produtivo apenas porque é excelente naquilo que faz.
Poderia ficar muito mais tempo a demonstrar aquilo que Ronaldo descobriu naqueles 30 minutos enquanto aquecia em Oslo, mas também sei o que é um desporto colectivo e a exigência que se aplica ao futebol de alta competição mas também sei que o exemplo de Ronaldo demonstra a todos uma das grandes verdades evidenciadas por Marx no que diz respeito ao mundo laboral: podes ser o melhor, e dar 150% sempre, mas é o contexto que te faz ser preponderante ou não.













