A Europa parece ter desenvolvido uma estranha tolerância à violência política, desde que esta venha embrulhada em reivindicações sociais, palavras de ordem revolucionárias e uma bandeira suficientemente conveniente.
O problema não é a manifestação, nem o direito à greve. É a transformação da rua num instrumento de intimidação, onde o vandalismo passa por resistência e a destruição de propriedade alheia é tratada como um detalhe secundário.
Em França, os protestos estudantis de outubro escalaram para confrontos, incêndios e centenas de detenções. A Reuters noticiou que os serviços de informações franceses atribuíram a origem da vaga de protestos violentos a uma operação organizada pela esquerda radical, associada à França Insubmissa. Na Bélgica, a contestação ao orçamento também terminou em confrontos, incêndios e destruição de propriedade. Não estamos perante manifestações espontâneas em todos os seus elementos: existem estruturas sindicais, organizações políticas, redes de mobilização e interesses que sabem aproveitar o descontentamento popular.
É ingénuo ignorar a forma como determinados movimentos convertem qualquer reforma económica numa oportunidade para desestabilizar governos. Quem organiza, quem financia, quem beneficia e quem assume a responsabilidade pelos excessos?
Há uma diferença entre uma multidão revoltada e uma mobilização organizada, com objetivos, logística, lideranças e calendário. Identificar essas estruturas exige investigação.
Os Estados Unidos ofereceram uma demonstração das consequências desta permissividade. Durante a presidência de Joe Biden, várias cidades enfrentaram episódios graves de violência e vandalismo.
Uma democracia não se mede apenas pela liberdade de protestar; mede-se também pela capacidade de proteger quem trabalha, quem estuda, quem tem um negócio e quem simplesmente quer viver em segurança. A liberdade de manifestação não é uma licença para destruir, agredir ou intimidar.













