e24e24e24
  • eCÁVADO
    • Barcelos
    • Braga
    • Vila Verde
  • eLITORAL
    • Esposende
    • Póvoa de Varzim
    • Viana do Castelo
    • Vila do Conde
  • eLIMA
    • Arcos de Valdevez
    • Ponte da Barca
    • Ponte de Lima
    • Valença
  • eAVE
    • Cabeceiras de Basto
    • Fafe
    • Famalicão
    • Guimarães
    • Mondim de Basto
    • Póvoa de Lanhoso
    • Vieira do Minho
    • Vizela
  • eGLOBAL
  • eSPORTS
  • eBUSINESS
  • eLIFESTYLE
    • Galo Branco
  • eOPINIÃO
Pesquisar
  • Advertise
© 2017 - 2026 E24.pt. Todos os direitos reservados
A ler A ditadura da experiência
Partilhar
Redimensionador de fontesAa
e24e24
Redimensionador de fontesAa
  • eCÁVADO
  • eLITORAL
  • eLIMA
  • eAVE
  • eGLOBAL
  • eSPORTS
  • eBUSINESS
  • eLIFESTYLE
  • eOPINIÃO
Pesquisar
  • eCÁVADO
    • Barcelos
    • Braga
    • Vila Verde
  • eLITORAL
    • Esposende
    • Póvoa de Varzim
    • Viana do Castelo
    • Vila do Conde
  • eLIMA
    • Arcos de Valdevez
    • Ponte da Barca
    • Ponte de Lima
    • Valença
  • eAVE
    • Cabeceiras de Basto
    • Fafe
    • Famalicão
    • Guimarães
    • Mondim de Basto
    • Póvoa de Lanhoso
    • Vieira do Minho
    • Vizela
  • eGLOBAL
  • eSPORTS
  • eBUSINESS
  • eLIFESTYLE
    • Galo Branco
  • eOPINIÃO
Somos Sociais
  • Advertise
© 2017 - 2026 E24.pt. Todos os direitos reservados
e24 > Notícias > Opinião > A ditadura da experiência
Opinião

A ditadura da experiência

Vítor Raposo
26 de Maio de 2026 16:19
Vítor Raposo - Consultor e dirigente desportivo
2 meses atrás
Sem comentários
Partilhar
7 minuto(s) de leitura
ditadura da experiência Vitor Raposo anadia globalização
Vítior Raposo - Consultor e Dirigente Desportivo
Partilhar

Perdemos a capacidade de viver sem pagar bilhete.

Já não sabemos estar com um amigo sem uma mesa reservada, viajar sem um roteiro aprovado pelo algoritmo, namorar sem um recibo no fim, entreter uma criança sem uma pulseira colorida à entrada de um espaço kids qualquer.

Tudo passou a precisar de preço, cenário e validação.

Antigamente, as pessoas encontravam-se na rua, na praça, na casa umas das outras. Havia uma guitarra, um baralho, uma garrafa de vinho rasca, uma conversa decente e aquela coisa perigosíssima que hoje parece quase subversiva: tempo.

Tempo sem monetização.
Tempo sem curadoria.
Tempo sem alguém a tentar vender-nos uma “experiência”.

Hoje, se convidamos alguém para ir dar uma volta, sentar num jardim ou simplesmente conversar, a resposta vem quase sempre embrulhada numa perplexidade moderna:

“Mas vamos fazer o quê?”

Como se estar junto tivesse deixado de ser suficiente.

Como se a amizade precisasse de menu, reserva e estacionamento incluído.

A viagem também deixou de ser descoberta. Passou a ser auditoria de consumo. Já não se vai a uma cidade para a conhecer. Vai-se para cumprir um roteiro. O restaurante que apareceu no Instagram. O miradouro onde toda a gente tira a mesma fotografia. A loja conceito. O hotel com vista. A rua “obrigatória”. O brunch “imperdível”. A experiência “autêntica” recomendada por 40 influencers que estiveram lá durante 17 minutos.

No fim, voltamos cansados, pobres e convencidos de que vivemos muito.

Mas não vivemos. Consumimos.

Não conhecemos a cidade. Comprámos o seu pacote turístico. Não falámos com ninguém dali. Não nos perdemos. Não ficámos sentados num banco de jardim a ver a vida acontecer. Não descobrimos o café feio onde os velhos discutem futebol, política e a decadência moral da juventude desde 1978. Fomos ao sítio onde todos vão, tirámos a foto que todos tiram e chamámos a isso liberdade.

É extraordinário: nunca tivemos tanto acesso ao mundo e nunca viajámos de forma tão obediente.

A espontaneidade morreu assassinada pelo Google Maps, pelo TripAdvisor e pelo medo de não rentabilizar o fim de semana.

E isto não acontece só nas viagens. O fim de semana tornou-se uma pequena crise logística. Se não houver cinema, shopping, restaurante, bar, concerto, brunch, escape room, feira urbana ou qualquer outro ritual pago, parece que não há nada para fazer.

Ficar em casa é tédio.
Andar na rua é pouco.
Conversar sem cenário é estranho.
Cozinhar para amigos parece trabalho.
Sentar à mesa sem fotografar parece desperdício.

Terceirizámos a nossa própria capacidade de nos divertirmos.

E, como sempre, depois espantamo-nos com as crianças.

A criança já não brinca na rua; vai ao espaço kids. Já não inventa jogos; faz atividades programadas. Já não se aborrece, porque o aborrecimento foi tratado como uma emergência parental. Já não explora, porque explorar suja, atrasa, desorganiza e não cabe na agenda.

A infância, que era o último reduto da imaginação gratuita, também foi transformada num serviço com monitor, seguro, pulseira e fatura.

Depois admiramo-nos que cresçam incapazes de criar diversão a partir do nada. Pudera. Ensinaram-lhes que até a alegria vem embalada, supervisionada e paga à hora.

As relações seguiram o mesmo caminho.

Primeiro encontro: restaurante.
Segundo: cinema.
Terceiro: bar diferente.
Quarto: experiência gastronómica.
Quinto: qualquer coisa “especial”, porque entretanto a inflação emocional também disparou.

Começámos a medir o avanço da intimidade pelo valor acumulado da despesa. Como se o afeto se comprovasse no extrato bancário. Como se esforço fosse sinónimo de consumo. Como se uma caminhada fosse pouco, cozinhar em casa fosse desleixo e sentar para conversar fosse falta de imaginação.

A indústria fez bem o seu trabalho.

Percebeu que já não bastava vender produtos. Era preciso vender significado. Então tudo passou a ser “experiência”.

Um café deixou de ser café. É uma experiência sensorial.
Um jantar deixou de ser jantar. É uma experiência gastronómica.
Um hotel deixou de ser sítio para dormir. É uma experiência imersiva.
Uma cadeira desconfortável numa sala escura com luz baixa deixou de ser marketing barato. É conceito.

E nós pagamos mais 300% por coisas normais embrulhadas em palavras caras.

Não é capitalismo. É catequese de consumo.

E convém dizer isto, porque há sempre um socialista de estimação escondido atrás de uma samambaia pronto para gritar “estás a ver, o problema é o mercado!”. Não. O problema não é haver restaurantes, hotéis, viagens, bares ou experiências à venda. O problema é termos deixado que a nossa vida interior fosse privatizada por terceiros.

O problema não é comprar.
É só saber existir comprando.

A solução não é virar monge, miserável ou inimigo do prazer. Também não é romantizar a pobreza, essa religião estética de quem normalmente nunca a teve de viver com seriedade.

A solução é recuperar autonomia.

Saber estar com amigos sem consumir.
Saber viajar sem obedecer ao roteiro.
Saber passar um domingo sem cartão.
Saber namorar sem produção.
Saber entreter uma criança sem a entregar a uma cadeia logística de “experiências pedagógicas”.
Saber viver sem transformar cada momento numa transação.

Porque uma vida que só acontece quando há dinheiro envolvido é uma vida cara demais.

E, pior do que isso, é uma vida frágil.

Basta falhar o cartão, fechar o restaurante ou acabar o salário antes do mês, e descobrimos a tragédia moderna: não sabemos o que fazer connosco quando ninguém nos está a vender nada.

ETIQUETAS:principal

Subscrever a newsletter semanal e24.pt

Mantenha-se atualizado! Receba um resumo das notícias semanais no seu email!
Confirme a sua subscrição e comece a receber as principais notícias em primeira mão.
Some fields are missing or incorrect!
Ao inscrever-se, concorda e reconhece as práticas de dados na nossa Política de Privacidade. Pode cancelar a subscrição em qualquer altura.
Partilhar esta notícia
Facebook WhatsApp WhatsApp LinkedIn Reddit Telegram
eReações
Adorei0
Feliz0
Piscadela0
Surpreso0
Sonolento0
Triste0
Zangado0
PorVítor Raposo
Consultor e dirigente desportivo
Seguir
Vítor Raposo
Notícia anterior manifestacao recebeu luis montenegro em Braga pacote laboral - 1 (1) (vídeo) E assim foi. Luís Montenegro recebido em Braga sob protestos contra reforma laboral
Notícia seguinte lgbt arco iris esposende marcha orgulho - 1 Marcha LGBT+ de Esposende alerta para “retrocessos” nos direitos humanos e homenageia Alexandra Roeger
Sem comentários Sem comentários

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Somos Sociais

FacebookGosto
XSeguir
InstagramSeguir
YouTubeSubscrever
LinkedInSeguir
- Publicidade -

Últimas Notícias

Viana Romaria d’Agonia estreia novo desfile dedicado ao Traje de Domingar
Viana: Romaria d’Agonia estreia novo desfile dedicado ao “Traje de Domingar”
Viana do Castelo Litoral
5 horas atrás
Cávado Comissão Regional aprova parecer favorável ao Programa de Ação contra Fogos Rurais
Cávado: Comissão Regional aprova parecer favorável ao Programa de Ação contra Fogos Rurais
Global
6 horas atrás
Póvoa de Varzim Associação de Dadores promove recolha de sangue esta quinta-feira
Póvoa de Varzim: Associação de Dadores promove recolha de sangue esta quinta-feira
Póvoa de Varzim Litoral
6 horas atrás
Presidente da República inaugura este sábado a XXIV Bienal de Cerveira
Presidente da República inaugura este sábado a XXIV Bienal de Cerveira
Global
7 horas atrás
- Publicidade -

Pode ser do seu interesse

1705F08C 6B68 4C8E BB97 DF60B96F773D
BarcelosCávado

Barcelos: Incêndio destrói barraca em acampamento da comunidade cigana

4 anos atrás
UMinho estudo ecoetica
BragaCávadoVieira do Minho

Braga: Estudo da UMinho de Luísa Carvalho alerta para falta de preparação dos professores em ecoética

1 ano atrás
fatura financas
Business

IRS: Prazo para validar faturas alargado até 2 de março

5 meses atrás
carlos da torre viana autarquicas
Viana do CasteloLitoral

ATRQ25: BE confirma Carlos da Torre como candidato à Câmara de Viana do Castelo

1 ano atrás
- Publicidade -
//

E24: Notícias da região do Cávado e Lima. Esposende, Braga, Barcelos, Viana do Castelo, Ponte de Lima, Arcos de Valdevez.

 

Publicação Periódica Diária. ERC: 127378

e24

  • Ficha Técnica
  • Política de Privacidade
  • Newsletter
  • Sitemap

Últimos Comentários

  • Zé em Arcos de Valdevez: Falso empreiteiro detido após burlas de oito anos
  • Um Arcuense em Ocorrências: Viatura arde junto ao Intermarché

Newsletter e24

Subscreva a nossa newsletter para receber o resumo semanal das notícias mais importantes!

Confirme a sua subscrição e comece a receber as principais notícias em primeira mão.
Some fields are missing or incorrect!

Pode cancelar a subscrição em qualquer altura.

e24e24
Somos Sociais
© 2017 - 2026 E24.pt. Todos os direitos reservados. Site elaborado por WebDig.PT e alojado em WebDig Host.
Login e24 Login e24
Bem-vindo!

Iniciar sessão na sua conta

Username or Email Address
Password

Perdeu a sua palavra-passe?

Not a member? Sign Up