António José Seguro foi eleito Presidente da República este domingo, na segunda volta das eleições presidenciais de 2026, superando o adversário André Ventura com uma vitória clara que consolida o centro-esquerda no mais alto cargo do Estado.
Seguro, antigo secretário-geral do Partido Socialista e figura política experiente, obteve cerca de 66% dos votos, contra 34% de Ventura, segundo apuramento com mais de 95% das mesas escrutinadas.
A eleição decorreu em circunstâncias atípicas: o país foi duramente afetado por uma série de tempestades, que causaram cheias, inundações e prejuízos significativos, obrigando a adiar a votação em três municípios (Golegã, Arruda dos Vinhos e Alcácer do Sal) para 15 de fevereiro.
Contexto e votação
Mais de 11 milhões de eleitores estavam convocados para as urnas neste domingo, num dos escrutínios mais relevantes dos últimos anos em Portugal. A segunda volta foi necessária porque nenhum dos 11 candidatos à Presidência conseguiu, na primeira volta, alcançar mais de 50% dos votos, condição exigida para eleição direta no primeiro turno.
Na primeira ronda, realizada em 18 de janeiro, António José Seguro liderou com cerca de 31% dos votos, seguido por André Ventura com cerca de 23,5%, distanciando os demais concorrentes como João Cotrim de Figueiredo (IL) e Henrique Gouveia e Melo (independente).
Este cenário configurou apenas a segunda segunda volta presidencial da democracia portuguesa, a primeira desde 1986, quando Mário Soares venceu a eleição frente a Freitas do Amaral.
Resultados consolidados e participação
Com os resultados quase completos, António José Seguro somou mais de três milhões de votos, um número que o coloca entre os presidentes mais votados desde a instauração da democracia, equiparando-se a nomes como Mário Soares, António Ramalho Eanes e Jorge Sampaio em termos absolutos de votos expressos.
A participação eleitoral foi afetada pelo mau tempo, mas manteve-se robusta. Dados preliminares às 16:00 apontavam para uma afluência de cerca de 45,5%, valor semelhante ao da primeira volta e respeitável perante as dificuldades de mobilidade em várias regiões.
André Ventura, líder do Chega, reconheceu a derrota após as projeções dos resultados, comprometendo-se a felicitar Seguro quando os números finais forem confirmados.
Perfil dos candidatos e apoios
António José Seguro, de 65 anos, regressou à cena política para este ato eleitoral depois de ter liderado o PS entre 2011 e 2014. A campanha de segunda volta contou com apoios expressos de diversos protagonistas políticos: figuras à esquerda, incluindo candidatos eliminados na primeira volta como Jorge Pinto e António Filipe, declararam apoio a Seguro, rejeitando Ventura por considerar o líder do Chega uma ameaça à democracia.
Alguns elementos do espectro político tradicional de direita, como Luís Marques Mendes (PSD/CDS-PP) e figuras independentes, também manifestaram, em privado ou a título pessoal, a intenção de votar em Seguro, reforçando o apelo à união democrática para conter o avanço do populismo de extrema-direita.
Ventura consolidou a sua posição como principal figura do Chega e mostrou a força eleitoral que o partido acumulou desde a sua fundação em 2019, mas não conseguiu transpor esse apoio para a eleição presidencial.
Impacto do mau tempo e organização do escrutínio
A eleição deste domingo foi organizada num contexto excepcional de clima adverso, com tempestades que provocaram cheias generalizadas, prejuízos materiais consideráveis e uma situação de calamidade em várias regiões.
Apesar dos pedidos de adiamento generalizado feitos por alguns partidos devido às condições meteorológicas, a autoridade eleitoral manteve a data, permitindo apenas adiamentos locais em áreas severamente afetadas.
Este resultado marca uma viragem no quadro político português, com Seguro assumindo um papel que envolve tanto a representação simbólica da unidade nacional como a possibilidade de colaboração institucional com o Governo em temas estratégicos, num momento em que o país enfrenta desafios sociais, económicos e ambientais.




