A cerimónia dos 260 anos do Batalhão de Sapadores Bombeiros de Braga ficou marcada por um momento de tensão institucional, depois de a presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Braga defender publicamente um reforço do apoio municipal aos Bombeiros Voluntários de Braga, numa intervenção que mereceu resposta imediata do vice-presidente da Câmara Municipal, Altino Bessa.
Perante várias entidades ligadas à proteção civil e ao setor dos bombeiros, a dirigente federativa, Ana Luísa Damasceno, afirmou que existe uma diferença significativa no tratamento dado às duas corporações da cidade.
“Gostaria de ver os Bombeiros Voluntários de Braga beneficiarem de um nível de apoio e valorização mais próximo daquele que é assegurado aos bombeiros sapadores”, declarou, sublinhando que falava “sem qualquer desprimor pelo extraordinário trabalho desenvolvido pela Câmara de Braga no apoio aos sapadores”.
Ainda assim, admitiu “preocupação” e “alguma tristeza” perante “a realidade distinta vivida entre as duas estruturas, que embora diferentes pela sua natureza, servem o mesmo propósito: proteger vidas, bens e populações”.
As palavras geraram reação imediata do vice-presidente da Câmara de Braga, Altino Bessa, responsável pelo pelouro da Proteção Civil, que fez questão – em declarações ao E24 – de enumerar os apoios atribuídos aos Bombeiros Voluntários de Braga nos últimos anos.
“Nós financiamos três EIP que custam ao município cerca de 140 mil euros por ano, para além do subsídio anual de 70 mil euros”, começou por referir.
O autarca recordou ainda um apoio extraordinário de 250 mil euros para a construção do novo quartel dos voluntários, além da isenção de taxas municipais superiores a 100 mil euros e do financiamento do projeto de arquitetura.
“Estamos sempre disponíveis para ajudar. Temos uma realidade diferente da maior parte dos municípios porque temos bombeiros sapadores, mas temos um respeito enorme pelos bombeiros voluntários”, afirmou.
Altino Bessa admitiu que “é natural que se reivindique sempre mais”, mas lembrou também as limitações orçamentais do município. “Para os bombeiros sapadores também há coisas que eu gostaria de ter e muitas vezes não é possível”, acrescentou.
Também o presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Braga, António Ferreira, entrou no debate, procurando equilibrar posições.
O dirigente reconheceu que a presidente da Federação “quis sensibilizar a Câmara para olhar talvez de outra maneira para os bombeiros voluntários”, mas fez questão de elogiar o apoio municipal recebido.
“A Câmara Municipal tem-me ajudado muito, nomeadamente na construção do quartel, na compra de equipamentos e no aumento do subsídio anual”, afirmou.
Ainda assim, admitiu alguma “inveja” perante o investimento feito nos Sapadores de Braga.
“Na brincadeira, posso dizer que os Bombeiros Voluntários de Braga deviam receber 10% do investimento feito nos sapadores. Se compararmos os serviços prestados por uns e outros, justificaria bem mais. Diria até 50%, mas 10% para nós já era um sonho”, afirmou.
O episódio acabou por revelar publicamente uma discussão antiga no setor da proteção civil bracarense: o equilíbrio entre o investimento municipal nos Bombeiros Sapadores — estrutura profissional da autarquia — e o apoio aos Bombeiros Voluntários, que continuam a assegurar uma parte significativa das ocorrências no concelho.




