Polícia com mais de 25 anos de serviço é suspeito de forjar contraordenações para extorquir “prendas” a pequenos empresários; colega de esquadra fez a denúncia
A Diretoria de Braga da Polícia Judiciária (PJ) desencadeou, na manhã desta segunda-feira, 22 de junho de 2026, uma operação de buscas no interior da esquadra da Polícia de Segurança Pública (PSP) de Barcelos. A ação teve como alvo principal o posto de trabalho e os armários de um agente daquela esquadra, suspeito de montar um esquema fraudulento para receber subornos e “prendas” de pequenos empresários locais em troca do suposto arquivamento de multas.
O polícia visado, que tem cerca de 50 anos de idade e soma mais de 25 anos de serviço ativo na instituição, acompanhou as diligências dos inspetores criminais no local e foi formalmente constituído arguido no processo.
O modus operandi: Multas falsas em troca de “pequenos presentes”
De acordo com os contornos da investigação liderada pela PJ de Braga, o agente tirava partido do cargo e do conhecimento do tecido empresarial da região para cometer os crimes. O suspeito forjava autos de contraordenação falsos e, posteriormente, contactava os pequenos comerciantes e empresários para os informar de que haviam sido multados.
Numa fase seguinte, o elemento da PSP disponibilizava-se de forma benemérita para interceder junto do sistema de contraordenações rodoviárias ou administrativas, prometendo “resolver” os processos e anular as coimas. Em contrapartida pelo suposto favor, o agente pedia ou aceitava “pequenos presentes” e compensações financeiras ou materiais das vítimas.
Denúncia partiu de dentro da própria esquadra
O esquema que funcionava na malha urbana de Barcelos acabou por ruir devido à partilha de informação entre as vítimas e a própria polícia. Um dos pequenos empresários visados na burla, desconfiado da regularidade do procedimento administrativo, acabou por comentar o caso com um outro agente de serviço na esquadra de Barcelos.
Perante a descrição do comportamento ilegal, o polícia que recebeu o relato cumpriu o seu dever estatutário e reportou de imediato a conduta criminosa do colega de farda às chefias do Comando Distrital, que por sua vez encaminharam os dados para o Ministério Público e para a Polícia Judiciária.
As buscas informáticas e documentais efetuadas esta manhã visaram recolher faturas, impressões de autos de contraordenação falsificados e outros elementos de prova digital. O agente aguarda agora o desenrolar do processo criminal em liberdade, sujeito a termo de identidade e residência, estando ainda sujeito à instauração de um processo disciplinar interno por parte da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI), que poderá culminar na sua suspensão ou demissão de funções.
Os cidadãos que queiram consultar os canais de integridade policial, submeter queixas e denúncias de corrupção à tutela ou verificar os regulamentos disciplinares das forças de segurança podem aceder ao portal da Inspeção-Geral da Administração Interna.




