Associação de Pais e Amigos Centrada na Inclusão plantou 30 bétulas nas Lagoas de Caíde para assinalar o Dia Mundial da Árvore
O Município de Barcelos reforçou, esta quinta-feira, o seu compromisso com a preservação dos ecossistemas locais através de uma iniciativa que combina consciência ambiental e responsabilidade social. No âmbito do projeto municipal “Lagoas sem Invasoras”, a APACI (Associação de Pais e Amigos Centrada na Inclusão) procedeu à plantação de 30 árvores da espécie bétula nas Lagoas de Caíde, localizadas na freguesia de Areias de Vilar.
A ação, que assinalou o Dia Internacional da Árvore e das Florestas, contou com a presença do vereador do Ambiente da Câmara Municipal de Barcelos, Filipe Pinheiro. Esta atividade não foi apenas um gesto simbólico, mas sim parte de um plano estruturado de gestão do território que visa devolver às Lagoas de Caíde o seu equilíbrio natural, combatendo a proliferação de espécies exóticas que ameaçam a flora autóctone.
As Lagoas de Caíde são reconhecidas como um dos espaços naturalizados mais ricos do concelho de Barcelos. Com um enorme potencial para o Turismo de Natureza, nomeadamente para a observação de aves (birdwatching) e o pedestrianismo, este ecossistema tem enfrentado a ameaça crescente de espécies invasoras, como as acácias.

O projeto “Lagoas sem Invasoras”, lançado oficialmente pela autarquia de Barcelos em 2024, foi desenhado especificamente para envolver grupos organizados e instituições locais na manutenção ativa destas áreas. A estratégia consiste na atribuição de parcelas de terreno circundantes às lagoas a diferentes entidades, que ficam responsáveis pelo controlo das espécies nefastas e pela reflorestação com árvores nativas.
A escolha das bétulas para esta plantação em Barcelos é estratégica, uma vez que se trata de uma espécie pioneira que ajuda na regeneração de solos e promove a biodiversidade, servindo de habitat para diversas espécies de fauna local.
A participação da APACI neste projeto de Barcelos sublinha a importância da inclusão social em causas globais como a proteção do ambiente. Antes de colocarem as mãos na terra, os membros da associação receberam formação técnica especializada ministrada pelos serviços de Ambiente da Câmara Municipal.
Esta capacitação permitiu aos utentes da APACI aprender a identificar corretamente as espécies invasoras e a aplicar as técnicas mais eficazes para a sua remoção sem danificar o solo. Agora, a associação assume a responsabilidade de dar continuidade às operações de limpeza na área que lhe foi confiada, garantindo que as acácias não voltem a dominar o terreno e que as novas bétulas cresçam de forma saudável.
Este modelo de parceria em Barcelos é visto como um exemplo de cidadania ativa. Ao envolver instituições de solidariedade social, o município não só recupera o património natural, como também promove a autonomia e o sentimento de pertença dos cidadãos com necessidades especiais.
Barcelos e a Estratégia Verde para 2026
A gestão das florestas e dos recursos hídricos em Barcelos está em linha com as metas nacionais de sustentabilidade previstas no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A preservação de zonas húmidas, como as Lagoas de Caíde, é fundamental para a adaptação às alterações climáticas, funcionando como reguladores térmicos e reservatórios de biodiversidade.
A nível nacional, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) tem alertado para o perigo das espécies invasoras, que são atualmente uma das principais causas de perda de biodiversidade em Portugal. Iniciativas locais como as de Barcelos são cruciais para travar este avanço, especialmente em zonas com potencial turístico onde a paisagem é o principal ativo económico.
A Câmara Municipal de Barcelos pretende, até ao final de 2026, alargar o projeto “Lagoas sem Invasoras” a mais entidades, criando uma rede de “guardiões da natureza” que assegurem a manutenção perene dos espaços verdes do concelho. O objetivo final é transformar as Lagoas de Caíde num destino de referência para o ecoturismo no Minho, garantindo que as futuras gerações possam usufruir de um espaço livre de ameaças biológicas.




