No ciclo de conversas promovido pelo LCafé by E24 com os candidatos à Câmara de Barcelos, Rosa Vale, candidata do Livre, apresentou um conjunto de propostas estruturadas com horizonte de futuro, que passam pela habitação pública, mobilidade sustentável, gestão de resíduos, apoio às famílias e reforço da coesão social.

A candidata destacou que a sua prioridade nos primeiros 30 dias de mandato seria avançar com um estudo sobre a situação da habitação no concelho, defendendo a meta de 10% de habitação pública até 2040. Sublinhou ainda que o objetivo do Livre não é pensar em ciclos eleitorais curtos, mas em políticas de longo prazo, “estruturadas com coragem e responsabilidade”.
Outro dos pontos centrais prende-se com a mobilidade urbana.
Para Rosa Vale, Barcelos precisa de um plano que evite o caos diário, não assente na construção de mais pontes, mas sim na criação de soluções sustentáveis.
Propõe transformar a central de camionagem num terminal intermodal, articulando ferrovia, autocarros e estacionamento, para permitir deslocações seguras a pé ou de bicicleta. “Queremos uma cidade amiga do ambiente e não uma cidade cheia de carros”, afirmou.

Na área das finanças municipais, a candidata do Livre apresentou uma proposta para as taxas de resíduos assente no princípio do “paga o que produz”.
Defende que o modelo já aplicado em cidades como Guimarães permitiu reduzir 146 quilos de resíduos indiferenciados por habitante, no último ano, traduzindo-se em menos custos para os munícipes e maior reaproveitamento de resíduos.
O programa do Livre para Barcelos prevê ainda creches gratuitas a partir dos quatro meses, aproveitando edifícios desativados, como antigas escolas, em articulação com as juntas de freguesia.
“É uma medida essencial para apoiar famílias, fixar jovens no concelho e impulsionar a economia local”, explicou Rosa Vale, frisando que a igualdade de oportunidades passa por garantir que a maternidade ou a paternidade não travam carreiras profissionais.
A candidata defende também uma política desportiva mais abrangente e descentralizada, que não privilegie apenas o futebol.

“O desporto é coesão social. Precisamos apoiar modalidades como atletismo, hóquei, ténis, vólei ou desportos ligados ao rio”, disse, lembrando que a aposta no desporto deve ser feita “de forma justa entre coletividades”.
Rosa Vale salientou ainda a necessidade de olhar para Barcelos como um município uno, combatendo a centralização excessiva na sede do concelho. Para o Livre, o desenvolvimento deve chegar às freguesias periféricas, num modelo de governação em proximidade, “independentemente do partido que esteja à frente das juntas”.
Questionada sobre a medida que gostaria de deixar como marca do mandato, a candidata foi clara: a habitação pública e cooperativa. Explicou que este modelo se distingue da habitação social, por ser dirigido à classe média, permitindo arrendamento acessível e estabilidade, enquanto a habitação social se destina às famílias mais carenciadas.
Rosa Vale concluiu defendendo que Barcelos precisa de um executivo que rompa com a lógica de obras de última hora e corte de fitas pré-eleitorais.



