Belinho, em Esposende, viveu este domingo um dos momentos mais marcantes da sua identidade religiosa e comunitária, ao assinalar os 100 anos da Procissão aos Enfermos, uma celebração profundamente enraizada na freguesia e que voltou a mobilizar dezenas de habitantes em torno da fé, da memória e da tradição.
A efeméride ficou marcada por uma homenagem especial ao padre Albino Alves Pereira (1885-1959), antigo pároco de Belinho e responsável pelo arranque desta manifestação religiosa em 1926.
Natural de Curvos, no concelho de Esposende, o sacerdote exerceu funções em Belinho desde 1921 até à data da sua morte, encontrando-se sepultado na freguesia. Ao longo do percurso da procissão, a sua memória foi evocada com tapetes coloridos, imagens e fotografias, num gesto que uniu passado e presente.
A celebração decorreu no Domingo da Divina Misericórdia e contou com a presença do arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, que destacou a beleza dos tapetes floridos e das representações bíblicas espalhadas por vários pontos da freguesia. O responsável católico sublinhou, em particular, a conceção de uma grande árvore da vida desenhada no pavimento da avenida da Igreja, onde foi igualmente colocada uma imagem de homenagem ao padre Albino.

Um dos elementos mais impressionantes da jornada foi precisamente o tapete da avenida da Igreja, com cerca de 300 metros de comprimento, onde ficaram inscritos os nomes das pessoas que, ao longo dos anos, integraram o núcleo central responsável pela preparação e decoração destas obras efémeras.
Segundo Manuel Azevedo, um dos obreiros envolvidos, esta é uma festa que mobiliza toda a freguesia, embora exista sempre um grupo mais restrito que assume a parte mais pesada da organização. Os trabalhos começaram quatro semanas antes e envolveram dezenas de voluntários. Só o tapete principal foi executado em cerca de quatro horas e meia, durante a madrugada, por mais de 50 pessoas.
O atual pároco de Belinho, padre José Manuel Ledo, realçou a continuidade da tradição e a forma como ela continua a marcar a vida espiritual da comunidade. O sacerdote falou numa forte devoção eucarística do povo de Belinho e considerou que esta procissão mantém viva uma mensagem de comunhão, esperança e conforto, sobretudo junto dos doentes.
Com cerca de quatro quilómetros de extensão, cruzando ruas e lugares da freguesia, a Procissão aos Enfermos voltou a mostrar que, em Belinho, a fé continua a sair à rua com força, memória e envolvimento popular.





