Operadores têm 60 dias para remover os equipamentos do concelho; decisão surge após PSP registar 37 acidentes com trotinetas desde o início de 2026
O Executivo Municipal de Braga aprovou esta segunda-feira, 29 de junho de 2026, a revogação imediata dos acordos de colaboração com as empresas de trotinetas elétricas partilhadas a operar no concelho. A medida determina a suspensão total do serviço na via pública enquanto a autarquia desenvolve e implementa um regulamento municipal específico para este tipo de micromobilidade.
A proposta, avançada pelo presidente da Câmara Municipal, João Rodrigues, fundamenta-se na urgência de repor a segurança rodoviária e a ordem no estacionamento urbano, face ao aumento expressivo de queixas e sinistros nas artérias da cidade.
Sinistralidade em 2026 motivou “paragem para correção”
Os dados estatísticos fornecidos pelas forças de segurança foram determinantes para esta tomada de posição. No balanço operacional apresentado:
- Desde o início de 2026, a PSP de Braga já contabilizou 37 acidentes de viação envolvendo trotinetas elétricas;
- Destas ocorrências resultaram 33 feridos (31 ligeiros e 2 graves);
- Atualmente, circulavam em Braga cerca de 500 trotinetas partilhadas, distribuídas por duas empresas operadoras e espalhadas por 240 pontos de partilha.
O presidente da autarquia, João Rodrigues, assumiu a autoria da introdução destes equipamentos na cidade há oito anos, mas defendeu o recuo estratégico como um ato de responsabilidade:
“Continuo a achar que a mobilidade suave é importante. Mas governar também é isto: olhar para a realidade como ela é, e não como gostaríamos que fosse. Vamos suspender a atividade das empresas de trotinetas partilhadas em Braga, para regulamentarmos melhor a sua utilização no espaço público. É parar para corrigir. É colocar a segurança das pessoas em primeiro lugar.”
Prazo de 60 dias para remoção total das ruas
De acordo com a deliberação aprovada pelo executivo, as duas empresas que gerem o serviço dispõem de um prazo máximo de 60 dias para recolher e remover todas as 500 trotinetas que se encontram no território bracarense.
Caso os operadores não cumpram voluntariamente o prazo estipulado, o Município de Braga avançará para a remoção coerciva dos equipamentos, sendo todos os custos desta operação imputados diretamente às marcas infratoras.
O objetivo final da autarquia é desenhar um quadro legal restritivo que ordene o estacionamento (evitando o bloqueio de passeios) e defina zonas e limites de velocidade claros, garantindo que o futuro da mobilidade suave respeite os peões e a acessibilidade inclusiva.




