O neto de Arlindo Correia afirma que “é a ouvir as pessoas que vamos construir uma Braga melhor” e alerta que o PDM pode transformar-se num problema judicial e financeiro de milhões para o Município.
O empresário bracarense Filipe Correia, representante do Grupo Arlindo Correia e da Women Investimentos, lançou um desafio direto aquele que virá a ser presidente da Câmara de Braga: independentemente de quem venha a vencer as eleições, a situação da UOPG 25 (Ferreiros) terá de ser discutida de forma aberta, técnica e imparcial.
O convite público, enviado também à comunicação social, surge na sequência da Declaração de Violação e Incumprimento do PDM de 2015, apresentada ao atual executivo a 17 de setembro de 2025 e, até ao momento, sem qualquer resposta.

No documento, Filipe Correia denuncia incumprimentos, omissões legais e falhas contratuais do Município em acordos urbanísticos que envolvem a autarquia, o grupo empresarial e a Bosch.
O empresário alerta que a persistência destes conflitos pode gerar prejuízos superiores a dez milhões de euros, com impacto direto nas contas públicas municipais, defendendo por isso a abertura imediata de negociações extrajudiciais.
Correia recorda que o grupo apresentou a proposta “Braga 2025+”, que integra dois projetos estruturantes — a Torre das Mulheres e o Eco Parque Natural e Industrial —, ambos concebidos para valorizar o eixo Ferreiros–Lomar–Figueiredo, com um investimento global estimado em 500 milhões de euros e abrangendo meio milhão de metros quadrados.
Braga: Filipe Correia projeta a “Torre das Mulheres” e “Eco Parque” para revolucionar cidade
O objetivo, sublinha o empresário, é “gerar desenvolvimento, emprego e sustentabilidade sem litígios, com base na transparência e na cooperação”.
A proposta, divulgada publicamente em janeiro de 2025, foi enviada a todos os candidatos e integra a revisão em curso do Plano Diretor Municipal (PDM). Para Filipe Correia, esta é uma oportunidade para reavaliar o modelo de crescimento da cidade, promovendo uma regeneração urbana e social “assente em imparcialidade e sentido coletivo”.
No documento, o empresário questiona ainda a legalidade da deliberação camarária de 8 de setembro de 2025, que determinou uma nova discussão pública da 3.ª Revisão do PDM sem cumprir o período legal de participação prévia, contrariando o previsto no Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial (RJIGT).
Considera que este procedimento fere princípios de transparência e participação cidadã, pedindo que o Município revogue a deliberação e reabra o processo de forma legal e participada.
Filipe Correia classifica o atual processo de revisão do PDM como “irregular, imprudente e desrespeitoso”, sobretudo para com os munícipes que não dispõem de interesses empresariais e que apenas procuram construir as suas habitações em terrenos rústicos.
O empresário apela à mobilização da sociedade civil e à intervenção ativa dos cidadãos durante o período de discussão pública, destacando que muitas sugestões anteriores foram ignoradas pelo Município. Entre as suas propostas, defende a criação de uma política de “habitação agrícola”, capaz de responder à crise habitacional e equilibrar o desenvolvimento urbano.
“Quem assumir a presidência da Câmara terá de enfrentar este tema com seriedade. A UOPG 25 é uma questão estrutural para o futuro da cidade. Não há caminho possível para uma Braga moderna sem resolver o que está por cumprir”, declara Filipe Correia, desafiando todos os candidatos a sentarem-se à mesa para discutir soluções concretas.




