Sente que o mercado dos combustíveis em Portugal concorrencial? Eu não, sinceramente.
Tenho dificuldades em considerar que existe um mercado livre e concorrencial quando as empresas que nele participam não nos demonstram um esforço para apresentar um preço menor ao consumidor, e o mercado dos combustíveis é um deles.
Vejamos o que têm acontecido nas últimas semanas.
Ligamos a televisão, ouvimos que mais oleoduto ou uma refinaria foi atacada por drones (ou um petroleiro iraniano em Ormuz) e sabemos instantaneamente que a cotação do Brent e dos produtos petrolíferos refinados subiu, logo, na 2ª-feira de manhã o preço no posto do combustível vai disparar 10 cêntimos, diz-nos o telejornal.
Alguma vez ouvimos uma das grandes distribuidoras a dizer “só subiremos 6 cêntimos ao contrário dos nossos concorrentes”?
Parece infantil esta minha ideia, não parece?
Isto seria o normal num mercado verdadeiramente concorrencial, entidade (empresas) que lutam para dar ao seu cliente o melhor produto ao melhor preço que esse consumidor consegue pagar.
O que seria normal estarmos a ouvir nos dias que correm é que a gasolineria A ou B estaria numa tentativa de ganhar novos clientes por ter efetivamente um preço menor na bomba do posto.
Não o ouvimos.
Alguns me dirão que com os cartões, cupões, descontos vários, conseguimos reduzir o preço que se paga quando vamos á bomba.
Certo, mas errado. Todas estas promoções são baseadas sempre no preço do posto, quando o preço sobe tudo mesmo com desconto, não existe uma real competição, existe uma partilha de custos com outras entidades.
Outros ainda me dirão ainda que temos as discount, que geralmente fazem preços mais baixos.
Certo, mas errado. Uma parte destas gasolineiras estão afetas aos supermercados (que não pretendem ganhar na bomba) ou a redes low-cost conseguem os preços baixos com a garantia de um volume e de uma operação logística capaz, não garantindo uma real cobertura por todo o país.
Assim, se as margens de lucro que as gasolineiras se mantém igual e sobem quase em paralelo e na mesma proporção, porque mantemos a capacidade de definição do preço máximo do lado das empresas? Porque não fazemos a definição do preço máximo central? Porque não fazemos no resto do país como fazemos nos Açores? Sim, como nos Açores.
Ao atualizar os preços mensalmente, e por decisão estatal no que refere ao preço máximo, os consumidores açorianos são menos expostos às variações semanais dos combustíveis, temos um racional maior na elaboração dos preços e amortecemos todas as variações de uma forma mais espaçada no tempo, permitindo maior previsibilidade para todos os consumidores, quer sejam privados ou empresariais, mostrando que é possível garantir ao consumidor açoriano que está no máximo a pagar um preço (baseado no Preço Europa) que está muito próximo do chamado “Preço Eficiente”.
Sim, o preço eficiente.
O preço eficiente é um estudo efetuado pela ERSE que mede o preço da matéria-prima, impostos, custos médios de logística, e até uma margem comercial do vendedor (que não é nem 1% nem 6%), e que nos dá uma visão da diferença entre o preço a que é vendido e sobre o qual poderia ser vendido. Se essa diferença for muito grande estamos a pagar bem acima do que poderia ser, se for inferior estariamos a ganhar dinheiro. Dizem os estudos que nos últimos anos estivemos a pagar cerca de 4,3 cêntimos/l acima do preço eficiente.
É um parâmetro pouco falado na nossa comunicação social, mas que daria jeito.














