Sindicato denuncia precarização e deslocalização de operações para países com salários mais baixos
A Randstad II avançou com um processo de despedimento coletivo que atinge 42 trabalhadores ligados a vários projetos de call center em Portugal.
A denúncia foi feita esta terça-feira pelo Sindicato dos Trabalhadores de Call Center (STCC), que acusa a empresa de apostar numa estratégia de aumento de lucros à custa da precarização laboral e da transferência de operações para países com mão de obra mais barata.
Segundo o sindicato, entre os trabalhadores afetados encontram-se profissionais com mais de dez anos de antiguidade na empresa, incluindo trabalhadoras lactantes. O STCC considera a situação “extremamente grave” do ponto de vista social e económico e acusa a Randstad de não apresentar soluções alternativas para trabalhadores que, durante anos, asseguraram o funcionamento das operações.
O sindicato afirma ainda que este despedimento surge após anteriores tentativas de transferir trabalhadores de Braga e do Porto para Elvas. Uma medida que, segundo vários trabalhadores, foi interpretada como uma tentativa indireta de pressionar para saídas voluntárias, através da imposição de condições consideradas incompatíveis com a vida pessoal e familiar.
Entre os projetos e empresas envolvidos neste processo estão operações ligadas à Concentrix, NOWO, DIGI, Vodafone, NOS, REN PRO e Vialivre.
O STCC alerta que este caso não é isolado e reflete uma tendência crescente no setor dos call centers em Portugal. O sindicato denuncia a substituição contínua de trabalhadores nacionais por operações deslocalizadas para países como Marrocos, Egipto, Filipinas e vários mercados da América Latina, onde os custos salariais e os direitos laborais são inferiores.
Na nota enviada à comunicação social, o sindicato defende que o despedimento coletivo “não tem de ser inevitável” e garante estar já a organizar os trabalhadores para tentar travar o processo.




