Celebra-se esta quinta-feira, 13 de fevereiro, o Dia Mundial da Rádio, data instituída pela UNESCO em 2011 e reconhecida pela ONU em 2012.
A efeméride sublinha o papel do rádio na informação, educação e coesão social, mas este ano o debate centra-se num tema incontornável: a Inteligência Artificial.
Sob o lema “IA é uma ferramenta, não uma voz”, a reflexão é clara. A tecnologia já entrou nas redações e estúdios. Automatiza grelhas de programação, transcreve entrevistas, restaura áudio, organiza metadados e testa guiões. Em vários países, há experiências com locutores virtuais gerados por algoritmos. A eficiência aumenta. Os custos descem. As dúvidas também crescem.
Para Nuno Cerqueira, diretor do E24, com percurso em rádios como a Rádio Universitária do Minho, Rádio Alto Minho e Geice, o desafio não é técnico, é editorial.
“A rádio sempre soube adaptar-se à tecnologia. O que não pode perder é a sua identidade”, afirma.
O jornalista lembra que a rádio constrói-se na proximidade. “A rádio vive da confiança. A voz humana transmite emoção, contexto e responsabilidade editorial. A Inteligência Artificial pode apoiar, mas não substitui o critério jornalístico.”
O debate não é teórico. Em mercados internacionais, o uso de vozes sintéticas sem aviso aos ouvintes gerou críticas e levantou questões sobre transparência. Especialistas alertam ainda para riscos como a desinformação automatizada ou a substituição de profissionais.
Ao mesmo tempo, há oportunidades. Projetos de rádio digital apoiados por IA permitem levar conteúdos educativos a regiões com acesso limitado à internet. A tecnologia pode libertar jornalistas de tarefas repetitivas e reforçar investigaçãoe reportagem.
“A tecnologia é inevitável. O que está em causa é como a usamos”, reforça Nuno Cerqueira.
“Se servir para libertar jornalistas de tarefas mecânicas e reforçar o trabalho de investigação e reportagem, é um ganho. Se for para substituir pessoas e empobrecer conteúdos, é um erro.”
Num setor pressionado por transformação digital e restrições financeiras, o equilíbrio será decisivo.




