No próximo domingo, 15 de fevereiro, assinalam‑se cinco anos desde que o Rui Agonia Pereira nos deixou.
A ausência permanece tão nítida quanto a memória da sua presença — discreta, generosa, profundamente humana.
Foi uma figura singular do ensino e da vida cultural portuguesa: académico distinto, investigador dedicado e humanista de rara generosidade intelectual.
Ao longo de décadas, deixou marca no ensino das ciências, na promoção de projetos educativos e na defesa de uma cultura assente no rigor, na curiosidade e na partilha. Recebeu, já na fase final da vida, o Prémio Mundial César Vallejo, reconhecimento internacional de um percurso académico sólido e exemplar. Mas quem o conheceu sabe que, acima de tudo, era a sua humanidade que mais impressionava.
Durante anos, encontrávamo-nos mensalmente em Lisboa. Ora na Sociedade de Geografia de Lisboa, onde me tornei associado graças ao seu incentivo, ora no Círculo Eça de Queiroz, espaço que ele apreciava de forma especial. Esses almoços eram sempre longos, quase rituais. Começavam com conversas sobre a família e os amigos, avançavam naturalmente para temas profissionais e terminavam, por norma, na partilha de episódios do passado.
Quando falava de Esposende — e, em particular, de Fão — a sua terra de coração, o olhar iluminava-se-lhe de um brilho especial, como se cada lembrança fosse uma pequena celebração da vida.
Escutá-lo era um privilégio. Na sua forma de transmitir conhecimento havia uma erudição sem ostentação, uma paixão tranquila que contagiava, uma serenidade rara que deixava marca. Era um académico respeitado, mas sobretudo um homem inteiro — daqueles cuja presença se sente mesmo quando já não estão.
Cinco anos depois, permanece a gratidão. Permanece o exemplo. Permanece a saudade. Que continue a descansar em paz.
E que a memória do seu legado — intelectual, humano e afetivo — siga viva em todos aqueles que tiveram o privilégio de o conhecer.





