O uso excessivo de smartphones e redes sociais está a comprometer seriamente o sono, sobretudo entre adolescentes e jovens adultos. O alerta é de Gustavo Jesus, diretor clínico da Partners in Neuroscience, que sublinha o impacto direto da tecnologia na qualidade e na duração do descanso.
“O sono é fundamental para o desenvolvimento cerebral, consolidação da memória e funcionamento cognitivo”, explica o psiquiatra. Ainda assim, cada vez mais pessoas dormem abaixo das 8 a 10 horas recomendadas, sacrificando o descanso em troca de tempo de ecrã, sobretudo à noite.
Um dos principais fatores é a exposição à luz azul, emitida por telemóveis, tablets e computadores.
Esta luz inibe a produção de melatonina, hormona responsável por induzir o sono, alterando o ritmo circadiano e atrasando o adormecimento.
Mesmo com filtros ativados, o problema mantém-se: o conteúdo consumido — mensagens, vídeos ou redes sociais — mantém o cérebro em estado de alerta.
O resultado é um ciclo difícil de quebrar. A privação crónica de sono compromete a atenção, a memória e a capacidade de regular emoções. Além disso, notificações, vibrações ou a simples presença do telemóvel no quarto fragmentam o sono, tornando-o mais leve e menos reparador.
Estudos indicam que o descanso é prejudicado mesmo sem utilização ativa do dispositivo.
“Quanto pior o sono, maior a tendência para recorrer ao ecrã como forma de distração”, refere Gustavo Jesus, apontando para um padrão de dependência silenciosa.
Para mitigar os danos, o especialista recomenda interromper o uso de ecrãs pelo menos uma hora antes de dormir, retirar o telemóvel do quarto ou colocá-lo em modo avião e criar rotinas de relaxamento.




