CDU acusa executivo camarário de Esposende de ausência de planeamento e defende rede de mobilidade para inverter rumo do concelho.
A CDU de Esposende acusa o concelho de ter seguido, nas últimas décadas, um modelo de desenvolvimento centrado em ganhos imediatos, “mais fácil e lucrativo a curto prazo, mas sem planeamento de longo alcance”.
As críticas constam de um comunicado de imprensa enviado ao E24, no qual a força política aponta fragilidades estruturais resultantes dessa opção.
O exemplo mais visível, segundo a CDU, é o uso do rio Cávado, “reduzido a suporte para atividades turísticas e desportivas concentradas no verão, em vez de valorizado como motor da economia local através da pesca e da preservação da biodiversidade”.
A ausência de intervenções estruturais, como a melhoria da foz ou o desassoreamento regular, compromete “o potencial económico e ambiental” do curso de água e limita o usufruto da população ao longo de todo o ano.
A CDU critica ainda o debate político local, que, afirma, “tem-se perdido em questões superficiais”. Citando Thomas Pynchon, lembra que “se conseguirem que façamos as perguntas erradas, não terão de se preocupar com as respostas”.
No plano político, a força comunista acusa o movimento social-democrata de “vazio de vontade de mudança” e considera que as forças à direita do PSD, incluindo movimentos independentes e o partido Chega, se limitam a prometer “transparência” e combate ao “compadrio”, sem questionar o modelo económico de base.
Como alternativa, a CDU propõe uma rede de transportes públicos eficiente e articulada, com ligações regulares de autocarro entre todas as freguesias e integração na ferrovia regional. O objetivo é reduzir a dependência do automóvel e garantir acesso rápido a serviços, cultura, emprego e educação.
Para a CDU, “a mobilidade é o motor da mudança”, capaz de fixar população jovem, criar coesão territorial e preparar Esposende para enfrentar “os desafios das próximas décadas com confiança e visão estratégica”.
Reflexo das políticas de direita em Portugal
A CDU acrescenta que Portugal vive hoje “um momento crítico no que toca ao seu modelo de desenvolvimento”, marcado por “uma acentuada desarticulação territorial”.
“De um lado, concentram-se os grandes centros metropolitanos de Lisboa e Porto, impulsionados por um turismo pujante que eleva os indicadores do PIB, mas assente em trabalho precário e mal remunerado, beneficiando apenas uma minoria. Este crescimento aparente tem como contrapartida a entrega quase total das nossas cidades ao sector turístico, alimentando uma especulação imobiliária desenfreada que expulsa os portugueses dos seus espaços urbanos e corrói o tecido social das comunidades”, destaca a CDU.
Em contraste, os comunistas afirmam que existe “um eixo de desenvolvimento menos visível, mas verdadeiramente estruturante, assente na investigação, inovação e aplicação de tecnologias avançadas em áreas como a energia, saúde, mobilidade e indústria”.
“Centros de investigação, universidades e empresas tecnológicas espalhados pelo território de Braga a Aveiro, de Guimarães a Évora — têm vindo a criar soluções de ponta, exportar conhecimento e formar quadros altamente qualificados”, destacam.
“Esta rede de inovação, muitas vezes impulsionada por parcerias entre instituições científicas públicas e o sector empresarial, prova que é possível gerar valor acrescentado e competitividade internacional fora da lógica turística, abrindo caminho a um crescimento mais diversificado, sustentável e menos vulnerável a crises conjunturais”, vaticina a CDU.




