França reforça missão europeia “Aspides” e estuda operação de escolta no Estreito de Ormuz após drones atingirem Chipre. Preço do petróleo acima dos 100 dólares acelera resposta de Paris.
Numa visita estratégica a Pafos, no Chipre, o Presidente Emmanuel Macron anunciou o destacamento de cerca de uma dezena de embarcações navais, lideradas pelo grupo de combate do porta-aviões Charles de Gaulle. A medida surge após drones terem sido interceptados na última semana em direção a território cipriota, levando o chefe de Estado francês a declarar de forma categórica que qualquer ataque ao Chipre representa um ataque direto à União Europeia. O objetivo de Paris é assegurar a credibilidade defensiva junto dos aliados regionais, contribuir para a desescalada do conflito e garantir a liberdade de navegação. Com o preço do petróleo a superar a barreira dos 100 dólares por barril, a proteção das rotas marítimas tornou-se uma prioridade económica e de segurança nacional, detalhada nos comunicados oficiais do [link suspeito removido].
A frota mobilizada pela Marinha Nacional Francesa inclui o porta-aviões Charles de Gaulle, que já se encontra no Mediterrâneo Oriental como base de operações móvel, acompanhado por oito navios de guerra e dois porta-helicópteros anfíbios. Esta força naval reforçará também a Operação Aspides, a missão da União Europeia no Mar Vermelho vocacionada para proteger embarcações comerciais contra os ataques dos rebeldes Houthi. O Primeiro-Ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, acompanhou o anúncio reforçando a necessidade de uma solidariedade europeia mais prática e apelando ao envio de mais meios para esta missão de defesa marítima internacional coordenada através do Conselho da União Europeia e do Serviço Europeu para a Ação Externa (EEAS).
Um dos pontos mais sensíveis da estratégia francesa é a possível extensão desta operação de escolta ao Estreito de Ormuz. Macron revelou que Paris está a preparar, em conjunto com parceiros europeus e extra-europeus, uma missão puramente defensiva para assegurar a passagem de contentores e petroleiros através desta via vital para o abastecimento energético global, monitorizada pela Agência Internacional de Energia (IEA). Esta iniciativa visa permitir a reabertura gradual do estreito assim que a fase mais intensa dos confrontos entre Israel, o Hezbollah e o Irão terminar. Embora a França mantenha uma postura oficialmente defensiva, o envio deste grupo de ataque sinaliza uma mudança na capacidade de intervenção europeia num teatro de guerra onde, até agora, os Estados Unidos tinham sido o principal protagonista, conforme as análises de segurança do Instituto de Estudos de Segurança da UE (EUISS).




