Suspeitos de 24 e 32 anos usaram chama direta em vegetação seca na localidade de Ligares; um deles é reincidente e já tinha ateado outro fogo em junho
A Polícia Judiciária (PJ), através do Departamento de Investigação Criminal de Vila Real, identificou e deteve, fora de flagrante delito, dois homens, de 32 e 24 anos, fortemente indiciados pela coautoria de um crime de incêndio florestal. A operação contou com a colaboração do Grupo de Trabalho para a Redução das Ignições (GTRI) do Interior Norte e do Comando Territorial da GNR de Torre de Moncorvo.
O crime principal ocorreu no passado domingo, 28 de junho de 2026, por volta das 13h50, na freguesia de Ligares, concelho de Freixo de Espada à Cinta.
Chama direta e fuga imediata do local
A investigação criminal permitiu recolher fortes indícios de que os dois suspeitos atuaram em moldes dolosos, recorrendo ao uso de chama direta em pleno espaço rural. O foco de incêndio foi intencionalmente ateado sobre uma zona de vegetação seca, tendo os indivíduos abandonado o local de imediato para tentar escapar às autoridades.
Devido às condições climatéricas e à secura dos combustíveis finos, as chamas propagaram-se com extrema rapidez a vários terrenos confinantes, de domínio público e privado. O incêndio acabou por consumir uma área superior a 200 hectares, afetando manchas de mato, explorações agrícolas e espécies florestais caducifólias.
O fogo gerou um cenário de elevado risco, colocando em perigo habitações, bens patrimoniais e as populações das localidades limítrofes. A tragédia só não ganhou contornos mais graves graças à rápida e musculada intervenção de várias corporações de bombeiros e ao apoio de meios aéreos pesados. O incêndio só foi declarado como dominado na noite do dia seguinte, segunda-feira, por volta das 22h50.
Um dos detidos já tinha atacado a mesma localidade duas semanas antes
No decurso das diligências, os inspetores da Polícia Judiciária apuraram ainda que um dos arguidos é reincidente na prática deste tipo de crime no corrente ano.
O homem está fortemente indiciado de ter ateado, a título individual, um outro incêndio florestal a 16 de junho de 2026, exatamente na mesma localidade de Ligares. Nessa primeira ocorrência, o suspeito usou o mesmo método de chama direta para queimar cerca de meio hectare de mato e pinheiro-bravo, tendo as chamas alastrado e destruído um pomar de amendoeiras.
Os dois detidos vão ser presentes a primeiro interrogatório judicial nas próximas horas para aplicação das respetivas medidas de coação. O inquérito corre termos e prossegue sob a tutela do Ministério Público de Torre de Moncorvo.




