Suspeito aproveitou dias de calor extremo, vento e alerta governamental para iniciar os fogos com recurso a um isqueiro; fogos ameaçaram manchas florestais e habitações
A Polícia Judiciária (PJ), através do Departamento de Investigação Criminal de Braga, procedeu ontem, 9 de julho de 2026, à detenção fora de flagrante delito de um homem de 42 anos suspeito de ser o autor de cinco crimes de incêndio florestal. As ignições em série ocorreram num curto espaço de tempo, entre os dias 31 de maio e 4 de julho deste ano, todas na freguesia de Sande (São Clemente), no concelho de Guimarães.
Logo após as primeiras comunicações das ocorrências, a PJ desencadeou diligências imediatas de investigação e perícia no terreno. A recolha rápida de vestígios e a articulação de dados permitiram reunir elementos probatórios consistentes e fortemente indiciadores da autoria dos crimes por parte do arguido.
Focos ateados com isqueiro nas horas de maior calor
De acordo com as autoridades, os cinco incêndios foram iniciados por chama direta, tendo o suspeito recorrido a um simples isqueiro para deflagrar o mato. O homem escolheu de forma planeada locais estratégicos em zonas com elevado combustível vegetal e condições propícias para a propagação rápida a manchas florestais extensas.
A investigação sublinha a gravidade da conduta do arguido, uma vez que todas as ignições foram efetuadas no período diurno, coincidindo com as horas de maior calor. Ocorreram em dias severamente quentes, secos e acompanhados por vento forte, com os termómetros da região a atingirem marcas de 40°C. Algumas destas ações criminosas foram mesmo registadas durante o período em que o Governo Português havia decretado a situação de alerta de proteção civil para todo o território continental devido ao risco extremo de incêndio.
Risco para habitações e medidas de coação
A atuação do homem gerou um risco acentuado e iminente não só para o ecossistema e mancha florestal de Guimarães, mas também para várias habitações e infraestruturas civis localizadas nas proximidades dos focos de incêndio. Embora as motivações que levaram o indivíduo a cometer os crimes ainda não tenham sido totalmente determinadas pela PJ, ficou demonstrado que o suspeito agiu com plena consciência de que a sua conduta era proibida e colocava em perigo vidas e bens de terceiros.
O detido, que é residente na própria freguesia afetada de Sande (São Clemente), será presente hoje, 10 de julho de 2026, às autoridades judiciárias no tribunal local para o primeiro interrogatório judicial, onde conhecerá as medidas de coação aplicadas. O inquérito está a ser titulado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Guimarães.




