Uma homenagem pouco convencional ao Papa Francisco reuniu uma multidão inesperada na Argentina. Mais de 100 mil pessoas marcaram presença, este fim de semana, na Plaza de Mayo, em Buenos Aires, num evento que misturou fé, música eletrónica e cultura pop, liderado pelo padre e DJ português padre Guilherme Peixoto.
A iniciativa assinalou o primeiro aniversário da morte do pontífice argentino e foi organizada por uma fundação católica local. O formato surpreendeu: uma espécie de “rave religiosa”, onde discursos do Papa foram misturados com batidas techno, criando um ambiente híbrido entre celebração espiritual e espetáculo urbano.
Segundo a imprensa argentina, o evento pode ter ultrapassado largamente os números iniciais. A organização apontou para cerca de 120 mil participantes, enquanto as autoridades locais admitem que a assistência poderá ter atingido até 250 mil pessoas, confirmando o forte impacto da homenagem.
Durante a atuação, Guilherme Peixoto integrou excertos de intervenções de Francisco na sua performance. Mas não se ficou por aí. O sacerdote português apresentou também versões adaptadas de temas conhecidos, incluindo músicas de Bad Bunny e dos Queen, reinterpretadas com uma mensagem religiosa.
A multidão foi maioritariamente jovem, embora com presença de várias gerações. Houve relatos de algum mal-estar entre participantes devido à concentração elevada de pessoas, mas sem registo de incidentes graves.
O fenómeno do padre DJ não é novo
Guilherme Peixoto ganhou notoriedade internacional durante a Jornada Mundial da Juventude, em Lisboa, e desde então tem sido presença regular em eventos fora de Portugal. Atualmente, soma mais de dois milhões de seguidores nas redes sociais e já atuou em vários países, incluindo Brasil, Chile e Eslováquia. Apesar da projeção mediática, mantém funções como pároco em São Tiago de Amorim, na Póvoa de Varzim.
O Papa Francisco, natural de Buenos Aires, morreu a 21 de abril de 2025. Um ano depois, a cidade voltou a encher-se, desta vez para uma homenagem que foge ao tradicional e mostra como a Igreja tenta adaptar-se a novas linguagens para chegar às gerações mais jovens.




