As eleições na Hungria marcaram um ponto de viragem político com impacto que ultrapassa as suas fronteiras.
Após 16 anos de governação de Victor Orbán e do Fidesz, os eleitores optaram por uma mudança clara, dando a vitória a Péter Magyar e ao TISZA.
Engana-se quem acha que este resultado é mera alternância democrática. É, sobretudo, uma rejeição do modelo político que, por demasiado tempo, enfraqueceu o Estado de Direito, corroeu a independência das instituições e afastou a Hungria do coração e dos valores europeus. A enorme adesão às urnas – que se aproximou dos 80% – demonstrou de forma inequívoca a clara vontade de mudança.
Os grandes vencedores deste processo foram, em primeiro lugar, os cidadãos húngaros, que conseguiram reafirmar o seu compromisso com a democracia e com a Europa. Mas esta é também uma vitória da União Europeia, que agora vê abrir-se uma janela de oportunidade para reintegrar a Hungria no nosso espaço político comum, com respeito pelas regras, com transparência e cooperação. É fundamental mencionar a Ucrânia, que, com a queda de Victor Órban, ganha um novo aliado mais em linha com o apoio europeu.
Em contrapartida, existem derrotados neste processo. Para além de Victor Órban, todas as forças políticas que defenderam um afastamento da Europa e uma eventual aproximação a regimes mais autoritários, como a Rússia, saem enfraquecidas. Representando, assim, um revés para os movimentos eurocéticos que viam na Hungria uma referência.
Coloca-se agora um desafio complexo e exigente a Péter Magyar. A sua vitória abriu caminho para a resolução de problemas estruturais, mas será essencial avançar com reformas institucionais profundas, devolver a independência às instituições e ao poder judicial.
Mais do que uma mudança de governo, estas eleições são sobre a reconstrução de um compromisso com os princípios democráticos e europeus.
A Hungria não mudou apenas de governo: reposicionou-se no eixo da Europa, onde o Estado de Direito não é negociável e a democracia não é instrumentalizável. O que está em causa não é a reafirmação de um princípio: na União Europeia, a legitimidade política constrói-se dentro das regras comuns, nunca à margem delas.




