A Igreja Católica em Portugal concluiu o processo de compensações financeiras às vítimas de abusos sexuais, com um total de mais de 1,6 milhões de euros já atribuídos, num dos momentos mais sensíveis da resposta institucional ao escândalo que abalou o país.
Segundo dados divulgados pela Conferência Episcopal Portuguesa, foram apresentados 95 pedidos de indemnização, dos quais 78 avançaram para análise. Desses, 57 foram aprovados, representando um montante global de 1.609.650 euros
Há pedidos recusados e outros ainda em análise
Apesar das dezenas de compensações atribuídas, nem todos os casos tiveram luz verde. O processo resultou ainda em 11 pedidos indeferidos, enquanto nove continuam em fase final de avaliação e um aguarda decisão da Santa Sé
Outros 17 pedidos foram arquivados logo à partida, por não cumprirem os critérios definidos ou por falta de resposta dos denunciantes durante o processo.
Os valores das compensações variam entre 9 mil e 45 mil euros, tendo sido definidos em fevereiro deste ano, com base na gravidade dos casos e no impacto causado na vida das vítimas
Igreja admite falhas e pede perdão
No comunicado oficial, a Igreja reconhece a dimensão do problema e admite que os abusos deixaram marcas profundas nas vítimas. A instituição sublinha que o pagamento das compensações não apaga o passado, mas pretende ser um gesto de reconhecimento e responsabilidade.
O processo incluiu análise individual de cada caso, tendo em conta fatores como a gravidade dos abusos, os danos sofridos e a ligação entre os factos e as consequências na vida das vítimas.
Vítimas de abusos sexuais da Igreja Católica portuguesa vão receber compensação financeira
Processo termina, mas polémica não
Apesar do encerramento formal deste mecanismo, a Igreja garante que o trabalho não termina aqui. Estruturas como o Grupo VITA e as comissões de proteção de menores vão continuar ativas, com foco na prevenção e acompanhamento.
Ainda assim, o fim do processo levanta questões sobre a dimensão real dos abusos e o número de vítimas que ficaram de fora. A própria Igreja admite que cada pedido corresponde a uma história marcada por silêncio e sofrimento prolongado.
Criada em 2024, esta iniciativa foi apresentada como uma resposta voluntária da Igreja em Portugal, numa tentativa de enfrentar um dos maiores escândalos da sua história recente.




