O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) emitiu aviso amarelo para os distritos de Braga e Viana do Castelo, devido ao agravamento do frio e à previsão de temperaturas mínimas muito baixas, sobretudo no interior.
O alerta entra em vigor às 00h00 de sexta-feira e mantém-se até às 19h00, justificando-se pela “persistência de valores baixos da temperatura mínima, exceto junto ao litoral”.
O aviso amarelo é o segundo nível mais baixo da escala do IPMA, mas indica condições meteorológicas que podem causar desconforto térmico, riscos acrescidos de saúde e impacto em deslocações, sobretudo em zonas elevadas e de interior onde a formação de gelo e geada é frequente.
Temperaturas a tocar no zero — e abaixo no interior
A descida das temperaturas será mais severa longe do mar. Para Braga, as previsões apontam para uma mínima a rondar 1ºC e máximas próximas dos 11ºC. Em Viana do Castelo, a mínima deverá ficar em torno dos 2ºC, com variações mais moderadas junto à costa.
O cenário muda radicalmente no interior do Minho. Em concelhos como Ponte de Lima, os valores podem atingir -2ºC na sexta-feira e -3ºC no sábado, com risco de geada e temperaturas negativas em áreas mais expostas.
A experiência recente mostra que, com estas mínimas e humidade elevada durante a noite, a probabilidade de gelo em estradas secundárias aumenta, sobretudo em zonas de serra e vales com pouca exposição solar durante a manhã.
Neve prevista para dia 26 em concelhos do interior
Além do frio, o IPMA aponta para a possibilidade de queda de neve no dia 26, com destaque para municípios como Cabeceiras de Basto, Vieira do Minho e Paredes de Coura. A cota de neve pode descer, dependendo da precipitação e da intensidade do ar frio instalado na região.
A neve não é inédita nestes concelhos, mas o contexto de um Natal com temperaturas baixas e possibilidade de precipitação torna o fenómeno novamente relevante, com impacto potencial em acessos, turismo de serra e circulação automóvel, especialmente em estradas de montanha.

DGS alerta: frio aumenta risco de agravamento de doenças
Face ao cenário de baixas temperaturas, a Direção-Geral da Saúde (DGS) voltou a emitir recomendações, lembrando que a descida acentuada do frio pode provocar agravamento de doenças crónicas, aumentar infeções respiratórias e elevar o risco de hipotermia, sobretudo em grupos vulneráveis.
A DGS pede que se evitem mudanças bruscas de temperatura e reforça a importância de vestir por camadas, protegendo extremidades como mãos, pés e cabeça com gorro, luvas e meias quentes. O calçado deve ser antiderrapante, sobretudo em dias de gelo ou geada, para prevenir quedas.
Hidratação e alimentação contam — álcool é risco
A entidade recomenda ainda cuidados básicos que fazem diferença: manter a pele hidratada (sobretudo face, mãos e lábios), beber água e optar por bebidas quentes. Comer sopa é apontado como um recurso simples para ajudar a manter a temperatura corporal.
O aviso mais direto é para o consumo de álcool: segundo a DGS, deve ser evitado porque “cria uma falsa sensação de calor e aumenta o risco de hipotermia”. Em dias de frio intenso, a perceção enganadora pode levar pessoas a expor-se demasiado tempo ao exterior ou a reduzir a proteção térmica.
Dentro de casa, mexer o corpo é essencial
A DGS recomenda também que, em casa, não se passe mais de uma hora seguida sentado. O objetivo é reduzir riscos circulatórios e ajudar o corpo a manter o calor. O conselho é simples: levantar-se, caminhar alguns minutos, manter movimento regular, mesmo em ambiente fechado.
A alimentação deve ser feita em refeições mais frequentes, encurtando intervalos, e com reforço de alimentos ricos em vitaminas e antioxidantes — como frutas e hortícolas — para diminuir o risco de infeções. Alimentos fritos e ricos em açúcar são desaconselhados.
Atenção aos mais vulneráveis e ao planeamento
O frio extremo atinge todos, mas a DGS sublinha como prioritárias as pessoas mais expostas: crianças pequenas, idosos, doentes crónicos, trabalhadores ao ar livre e pessoas em isolamento ou sem-abrigo. Para estas situações, recomenda-se planeamento: garantir medicamentos e alimentos suficientes para evitar saídas desnecessárias em condições adversas.
No exterior, o conselho é claro: evitar esforços físicos e estar atento à sensação térmica, que pode ser mais baixa do que o valor real medido.
O Minho entra assim num novo episódio de frio com aviso oficial, temperaturas a rondar o zero e com neve possível no interior — um cenário que pode repetir-se nos próximos dias se o ar frio persistir.




