A alteração ao calendário de pagamento do Imposto Único de Circulação (IUC) vai forçar dezenas de milhares de proprietários a pagar o imposto duas vezes num curto intervalo.
As contas avançadas por associações do setor automóvel apontam para cerca de 20 mil automobilistas nesta situação.
Olhando para a dimensão do parque automóvel nacional — 7,2 milhões de veículos, dos quais quase seis milhões são ligeiros — o número poderá ser bastante superior.
Se o aniversário das matrículas estivesse igualmente distribuído ao longo do ano e existissem cinco milhões de automóveis sujeitos ao imposto, mais de 400 mil contribuintes pagariam IUC todos os meses.
Mesmo admitindo que dezembro tem menos matrículas, o valor de 20 mil parece subavaliado. Sem dados oficiais mais rigorosos, é esta a estimativa disponível.
A razão para o problema é simples: a partir de 2026, todos os veículos passam a pagar o IUC em fevereiro, concentrando num único mês aquilo que até aqui estava espalhado por todo o ano.
Até ao final de 2025 mantém-se a regra atual — pagamento no mês do aniversário da matrícula — o que deixa quem tem matrícula no final do ano com um intervalo mínimo entre pagamentos.
Os proprietários abrangidos devem preparar-se financeiramente para o impacto, sobretudo num contexto de custos crescentes com a manutenção e uso da viatura.
Há ainda efeitos diretos na gestão do Estado
A mudança irá concentrar receitas logo no arranque do ano, alterando o fluxo regular que o Ministério das Finanças tinha ao longo de 12 meses. As receitas de IUC em 2025 deverão ultrapassar 520 milhões de euros, acima dos 511 milhões registados em 2024.




