Mísseis Type-12, com alcance de 1.000 km, foram destacados para Kumamoto. Reforço ofensivo surge como resposta à pressão de Pequim sobre Taiwan.
O Japão iniciou esta segunda-feira a instalação do primeiro lote de mísseis terra-mar Type-12 modernizados no Campo Kengun, localizado na prefeitura de Kumamoto. Esta operação, conduzida de forma discreta durante a madrugada, marca a primeira vez que o país coloca no terreno armamento de longo alcance desenvolvido internamente pela Mitsubishi Heavy Industries, capaz de atingir alvos estratégicos no território continental chinês. Originalmente previstos para 2025, o Ministério da Defesa japonês decidiu antecipar o calendário face ao agravamento das tensões regionais e à crescente pressão de Pequim sobre Taiwan. O sistema representa um salto tecnológico gigante para as Forças de Autodefesa do Japão, uma vez que o seu alcance foi expandido dos originais 200 km para cerca de 1.000 km, conferindo ao arquipélago uma capacidade de contra-ataque sem precedentes na era pós-guerra.
O destaque em Kumamoto é o primeiro passo de uma estratégia de contenção mais vasta que visa fortificar as ilhas do sudoeste. O sistema deverá ser instalado ainda este ano no Campo Fuji, em Shizuoka, somando-se às baterias de mísseis PAC-3 e sistemas superfície-ar de médio alcance já posicionados em ilhas como Okinawa, Ishigaki e Miyako. Além disso, o ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, já confirmou a intenção de reforçar a ilha de Yonaguni, a mais próxima de Taiwan, até março de 2031. No entanto, a chegada dos lançadores a Kumamoto foi recebida com protestos por parte dos residentes locais, que criticam a falta de transparência do Governo e temem que a base se torne um alvo prioritário em caso de conflito armado.
Esta mudança de paradigma na defesa japonesa é impulsionada pela primeira-ministra Sanae Takaichi, que assumiu uma linha dura ao afirmar que uma eventual ação militar contra Taiwan poderia justificar uma resposta direta de Tóquio. O Governo japonês prepara-se agora para rever a sua política de segurança até ao final do ano, prevendo a eliminação de restrições à exportação de armamento letal para impulsionar a indústria de defesa nacional e reforçar os laços com os aliados através do Ministério da Defesa do Japão. Com esta nova capacidade de longo alcance, o Japão deixa de depender exclusivamente do “escudo” norte-americano para passar a deter uma “espada” própria no tabuleiro geopolítico da Ásia-Pacífico.




