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e24 > Notícias > Opinião > Milhões a entrar, mas até quando?
Opinião

Milhões a entrar, mas até quando?

Felipe Damasceno
3 de Agosto de 2026 19:06
Felipe Damasceno
3 meses atrás
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Felipe Damasceno membro do PSD de Viana do Castelo
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Há uma aritmética indiscutível que incomoda os arautos do atraso: Portugal é hoje o sétimo país do mundo que mais atrai milionários. A alquimia entre a nossa extraordinária bênção geográfica, a segurança urbana e um estilo de vida Ímpar transformou a paisagem nacional num ecossistema de sofisticação.

Dos relvados impecáveis do golfe aos refúgios da Comporta, da pujança cosmopolita de Lisboa ao palco global da Web Summit, Portugal aprendeu a acolher a excelência. Assistimos à proliferação de hotéis de classe mundial e restaurantes que figuram no topo da gastronomia internacional. Contudo, o verdadeiro valor deste fenómeno não reside no luxo em si, mas no seu efeito multiplicador sobre a economia real. Esta atração de riqueza não vive num vácuo: exige e remunerar com generosidade o talento nacional. Arrasta consigo empregos de elevado valor acrescentado, mobilizando gabinetes de arquitetura de vanguarda, engenharia de alta precisão, representantes das mais prestigiadas marcas globais, a indústria transformadora e um setor exportador que finalmente aprendeu a competir pelo topo, e não pelo preço. Trata-se da consolidação de um mindset de inovação que há muito escasseava por cá.

Porém, sob este verniz de prosperidade cosmopolita, persiste a praga de um atavismo cultural que recusa morrer.

À medida que o país avança, emergem das sombras as habituais associações de um “ambientalismo” caviar e ideologicamente dogmático, estruturas que nunca assentaram um tijolo, nunca criaram um único posto de trabalho e cuja única utilidade social parece ser a chantagem jurídica e a paralisia do desenvolvimento alheio. O modus operandi é conhecido: suscitar contenciosos e providências cautelares sobre grandes empreendimentos de investimento produtivo, impondo prejuízos milionários a quem arrisca o seu capital para valorizar o território nacional.

O aspeto verdadeiramente perverso deste fenómeno não é a existência destes profissionais da estagnação, mas a permeabilidade das nossas instituições públicas. É desalentador observar organismos do Estado cederem a este ruído, acoplados a um apoio incompreensível, mas metodicamente calculado, por parte de setores da comunicação social pública. Quando o objetivo velado de certa fação política é desgastar um Governo de que não gostam, os fins passam a justificar todos os meios. Não importa a destruição de valor, a perda de reputação ou o investimento rasgado em praça pública; a missão tática de abater o adversário político sobrepõe-se, sem pudor, ao interesse nacional.

A pergunta que se impõe, perante este espetáculo de entropia burocrática e ideológica, é simples: até quando durará a confiança dos investidores?

O capital é extraordinariamente cobarde. Hoje, os milhões entram, geram dinâmicas próximas do pleno emprego e financiam investimentos com uma escala raramente vista na nossa história recente. Mas a tolerância para com a incerteza jurídica tem limites. Com o horizonte do Mundial de 2030 a aproximar-se, uma oportunidade soberba para alavancar o turismo e a infraestrutura em todo o território, Portugal encontra-se numa encruzilhada histórica. Podemos realizar as reformas estruturais necessárias para blindar a economia da demagogia e consolidar esta bonança, ou podemos capitular novamente perante a teia socialista e anti-capital, assistindo passivamente à fuga destes milhões para geografias mais amigáveis ao investimento.

A prosperidade não é um dado garantido; é uma escolha diária. Se permitirmos que os sabotadores do desenvolvimento continuem a ditar as regras do jogo, transformaremos mais uma oportunidade de ouro no habitual cemitério de promessas falhadas.

ETIQUETAS:2030milhõesmilionariosopiniãoportugalweb

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