Projeto transfronteiriço vai testar coleiras GPS, cercas virtuais, drones e sensores para apoiar a gestão dos territórios de montanha e valorizar raças autóctones.
Mais de 70 pessoas participaram esta quinta-feira, 8 de outubro, em Montalegre, na apresentação do GEXPOCTEP, um projeto de cooperação entre Portugal e Espanha que pretende combinar tecnologia e pecuária extensiva para responder a desafios como a prevenção de incêndios, o despovoamento rural e a valorização das raças autóctones.
O projeto, financiado pelo Programa Interreg Espanha-Portugal (POCTEP), vai decorrer até ao final de 2028 e envolve dez parceiros portugueses e espanhóis ligados à investigação, administração pública, desenvolvimento rural e setor agropecuário.
Cerca de 100 animais vão testar tecnologia de pastoreio
Uma das componentes do projeto passa pela utilização de coleiras inteligentes com GPS e sistemas de cercas virtuais, permitindo aos produtores acompanhar e gerir os animais à distância.
Numa primeira fase, está prevista a utilização de cerca de 100 coleiras inteligentes, associadas aos sistemas de monitorização.
O vice-presidente da CCDR Norte, Paulo Ramalho, defendeu que a tecnologia pode ajudar a transformar a forma como a atividade agropecuária é desenvolvida nos territórios de montanha.
“Pretendemos criar uma nova visão da sustentabilidade social, económica e ambiental, aproveitando as novas tecnologias, nomeadamente na questão relacionada com a pastorícia extensiva, enquanto ator principal na gestão do combustível vegetal, portanto na prevenção dos incêndios, mas também na promoção do território e valorização da economia local.”
Segundo o responsável, a modernização do setor poderá também contribuir para tornar a atividade mais atrativa para as novas gerações.
“A introdução da tecnologia e inovação na agricultura e no setor agropecuário é essencial para manter não só os nossos agricultores mobilizados no território, mas acima de tudo para atrair mais jovens para o setor.”
Pastorícia como ferramenta de prevenção de incêndios
A relação entre a pastorícia extensiva e a gestão da paisagem esteve também em destaque durante a sessão.
Adelino Bernardo, da CCDR Norte e do SIPAM do Barroso, destacou o papel histórico da atividade pecuária na construção da paisagem da região e alertou para os efeitos do abandono rural, do envelhecimento da população e da redução dos efetivos pecuários.
A manutenção de pessoas e animais no território é, segundo o responsável, uma das formas de preservar os sistemas tradicionais de gestão da paisagem e reduzir o risco associado à acumulação de vegetação.
O tema foi igualmente debatido na mesa-redonda “Tecnologia, Gestão do Território e Valorização das Raças Autóctones”.
Montalegre quer conciliar tradição e inovação
Na sessão de abertura, a presidente da Câmara Municipal de Montalegre, Fátima Fernandes, salientou a importância do projeto para um território reconhecido pela FAO como Sistema Importante do Património Agrícola Mundial (SIPAM).
A autarca defendeu que as novas ferramentas tecnológicas podem complementar práticas tradicionais de pastorícia.
“Utilizar as ferramentas da tecnologia, como coleiras eletrónicas e cercas virtuais, vai constituir um acréscimo a esta distinção ao contribuir para um pastoreio sustentável e consequentemente uma melhor gestão da paisagem, valorizando as raças autóctones e facilitando o trabalho dos produtores.”
Para Fátima Fernandes, a aposta na inovação pode ainda aproximar diferentes objetivos de desenvolvimento territorial.
“A inovação ao serviço da prevenção de incêndios, da conservação da biodiversidade, do desenvolvimento do território e de novas oportunidades para a economia só pode ser um projeto de importância capital para os nossos territórios de montanha.”

Cachena, Barrosã e Garrano entre as raças abrangidas
A componente técnica do GEXPOCTEP foi apresentada por Lúcio Garcia, da Fundación Centro Tecnolóxico da Carne (CETECA), entidade que lidera o consórcio.
O projeto prevê a criação de explorações-piloto e a utilização de diferentes tecnologias, incluindo coleiras GPS, drones, cercas virtuais e sensores de monitorização.
A iniciativa contempla ainda a valorização de produtos provenientes de raças autóctones, nomeadamente Cachena, Barrosã, Garrano e Pura Raça Galega, através do desenvolvimento de novos produtos e soluções destinadas à gastronomia e ao mercado alimentar.
Projeto tem investimento superior a 2,26 milhões de euros
O GEXPOCTEP representa um investimento superior a 2,26 milhões de euros e junta dez entidades portuguesas e espanholas.
A cooperação transfronteiriça pretende responder a problemas comuns aos territórios rurais de montanha dos dois lados da fronteira, procurando conjugar atividade agropecuária, inovação tecnológica, prevenção de incêndios e valorização económica do território.
O projeto deverá manter-se em execução até ao final de 2028.















