Iniciativa “A nossa Casa Deve Ser um Lugar Seguro” é lançada em 20 países no Dia Internacional das Crianças Desaparecidas; foco está na deteção de sinais de violência doméstica
A Polícia Judiciária (PJ) associou-se oficialmente à campanha internacional “A nossa Casa Deve Ser um Lugar Seguro”, lançada esta segunda-feira, 25 de maio, pela fundação AMBER Alert Europe. A iniciativa assinala o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas e visa colocar o foco preventivo numa das causas mais negligenciadas no fenómeno dos fugitivos infantis: a violência doméstica e os ambientes familiares hostis.
Todos os anos, milhares de menores desaparecem após tomarem a decisão drástica de fugir de casa para escapar a contextos de insegurança e maus-tratos familiares. Especialistas alertam que, na esmagadora maioria dos casos, os sinais de sofrimento psicológico e físico manifestam-se muito antes da fuga, mas acabam por ser ignorados ou mal interpretados pelos adultos.
Os 5 sinais de alerta precoce definidos por especialistas
Validada por investigações científicas e por diretrizes de proteção à infância analisadas por peritos da União Europeia e do Reino Unido, a campanha sintetiza cinco indicadores cruciais a que a sociedade deve prestar atenção:
- Mudanças repentinas de comportamento: Isolamento social abrupto, quebra no rendimento escolar ou episódios de agressividade invulgar.
- Ferimentos inexplicáveis: Hematomas, escoriações ou marcas físicas sem uma justificação coerente por parte do menor ou dos tutores.
- Postura defensiva constante: Ansiedade permanente, sobressalto ao toque ou vigilância extrema do ambiente circundante.
- Medo latente de regressar a casa: Relutância visível ou choro sistemático no momento de abandonar a escola ou as atividades extracurriculares.
- Bloqueio na comunicação: Dificuldade acentuada em verbalizar o que se passa na sua rotina ou em partilhar sentimentos de bem-estar.
Um apelo global à ação de professores, vizinhos e treinadores
A Polícia Judiciária e a rede europeia apelam diretamente à intervenção ativa de todos os cidadãos que interagem regularmente com crianças — desde professores, educadores, auxiliares de ação médica, treinadores desportivos até vizinhos de proximidade. O objetivo é capacitar a comunidade para reconhecer estes sintomas sociais precocemente, ativando os mecanismos de proteção social antes que a criança encare a fuga voluntária como a sua única rota de sobrevivência.
A nível global, o projeto arranca em simultâneo em 20 países e em 14 idiomas distintos, abrangendo territórios como Portugal, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos e Austrália, demonstrando que as redes de proteção e o tráfico ou desaparecimento de menores não se confinam às fronteiras geográficas tradicionais.
O acompanhamento de dados de segurança e conselhos de prevenção pode ser consultado no portal da Polícia Judiciária. Para aceder aos materiais pedagógicos oficiais e guias de apoio da iniciativa, os utilizadores devem visitar a plataforma internacional AMBER Alert Europe.





