João Carvalho, com sede da empresa em Perelhal, Barcelos, esteve associado a 14 sociedades, várias das quais com processos de insolvência, dissoluções e dívidas. A empresa Construbarcelos mantém-se em atividade e, segundo a Polícia Judiciária, cumpria os requisitos legais exigidos nas adjudicações.
O empresário de Barcelos, João Carvalho, responsável por trabalhos realizados numa propriedade do ministro da Administração Interna, Luís Neves, celebrou, através da Construbarcelos, 17 contratos com a Polícia Judiciária entre 2019 e 2025. As adjudicações atingiram um valor global próximo dos 2,3 milhões de euros.

A informação é avançada pelo jornal Público, que traça o percurso empresarial de João Carvalho e identifica a sua ligação a 14 sociedades de diferentes setores, incluindo construção civil, restauração, contabilidade, transporte de mercadorias, aluguer de automóveis e comércio de tabaco.
Atualmente, segundo a mesma investigação, apenas duas dessas empresas continuam em funcionamento: a construtora Construbarcelos e a mediadora imobiliária Medicuca. Entre as restantes encontram-se sociedades dissolvidas, empresas declaradas insolventes e negócios com dívidas ou processos judiciais.
A Construbarcelos, que realizou empreitadas nas instalações da PJ da Guarda e de Évora, também esteve envolvida em vários litígios nos últimos quatro anos. Algumas ações estarão relacionadas com alegadas dívidas a fornecedores. A empresa surge igualmente como credora em processos de insolvência de outras sociedades.
Ministro conheceu empresário numa obra da PJ
Luís Neves afirma ter conhecido João Carvalho no final de 2023, durante a fase de conclusão da empreitada realizada pela Construbarcelos nas instalações da PJ da Guarda. O atual ministro era, nessa altura, diretor nacional da Polícia Judiciária.
De acordo com o governante, a relação de amizade começou em 2024. Mais tarde, pediu ao empresário uma opinião técnica sobre trabalhos que pretendia executar numa propriedade familiar situada em São Teotónio, no concelho de Odemira.
A Construbarcelos acabou por participar nas intervenções. Foram emitidas duas faturas, em fevereiro de 2025, num total de cinco mil euros, pagas pela Alcampos, empresa de alojamento local da mulher do ministro. Luís Neves estima que o custo final de todos os trabalhos possa situar-se entre 20 e 30 mil euros.
A propriedade será fiscalizada pela Câmara Municipal de Odemira. Entre as intervenções que suscitaram dúvidas encontra-se uma estrutura que tem sido referida como piscina, mas que o ministro descreve como um “tanque”. Luís Neves sustenta que as obras não necessitavam de licenciamento.
O governante já admitiu que, perante a polémica, teria tomado uma decisão diferente. “Sabendo o que sei hoje, naturalmente que o percurso teria sido diferente, sem nunca renegar a amizade”, afirmou.
PJ diz que não existiam impedimentos legais
A Polícia Judiciária esclareceu que o historial empresarial dos sócios ou gerentes, incluindo anteriores insolvências e dívidas, não permite excluir automaticamente uma empresa de procedimentos de contratação pública.
Segundo a instituição, a Construbarcelos apresentou os documentos e requisitos legalmente exigidos e, quando os contratos foram adjudicados, não existiam elementos que configurassem um impedimento legal. Até ao momento, não foram apresentados dados públicos que provem qualquer ilegalidade nas adjudicações.














