Visitar as 7 Lagoas de Xertelo pode ser passeio suave ou prova de fogo. Escolhe ritmo, companhia e adrenalina. O cenário repete‑se: granito, água verde e silêncio. Gerês em bruto.
O essencial. Há duas portas de entrada legais e sensatas. A via fácil, com cerca de uma hora a pé entre a aldeia de Xertelo e as lagoas.
E o trilho dos Poços Verdes do Sobroso, PR9 MTR, com 12 quilómetros de sobe e desce que pede boas pernas e tempo de dia inteiro. Acesso motorizado por estradões do Parque Nacional da Peneda‑Gerês sem autorização não é opção. É proibido e punível. O parque existe para proteger paisagem e biodiversidade.

Para famílias com crianças pequenas, pessoas com mobilidade reduzida ou quem quer foco no destino, a escolha óbvia é a caminhada curta.
Chega a Xertelo, estaciona perto do Bar 7 Lagoas, atravessa a ponte e vira à direita para a igreja. Junto ao templo encontras um painel turístico sobre as lagoas. A partir daí a subida é leve até ao Moinho do Poço.
Segue mais uns minutos, avista o Fojo do Lobo no lado esquerdo, e entra num trilho marcado por mariolas e marcas amarelas e vermelhas. Depois, plano. O troço aldeia‑lagoas soma cinco quilómetros planos, ideal para iniciantes e miúdos que gostam de caminhar.

Para quem quer aventura, o PR9 MTR entrega. Começa também em Xertelo, mas após a ponte escolhe o caminho da esquerda, assinalado como Pequena Rota.
O piso afina. É estreito, rochoso, com vegetação a roçar as pernas. Quarenta minutos depois, aterras no Poio das Cabras.
À frente, a garganta do Rio Cabril abre‑se em muralhas. Estes penedos eram refúgio da cabra lusitana, que escapava aos lobos por ali. As marcas de urina ainda se notam nas rochas quando a luz bate certo. Relatos no terreno apontam duas horas e trinta minutos desde a aldeia até às lagoas, a ritmo moderado.

Segue a descer mais um pouco até cruzar o Cabril. Há poços naturais de água fria, os poços verdes, que pedem calma e respeito. Daqui, a história muda.
O trilho começa a subir forte rumo às lagoas. Pedra, degraus naturais, inclinação constante. Uma hora de esforço leva‑te a uma Silha dos Ursos. Para ver de perto, sai do trilho cerca de setenta metros.
Regressa à linha principal e continua. O caminho ondula, cruza outra ribeira, e enfim abre para a varanda que domina as 7 Lagoas de Xertelo. Entre a silha e as lagoas conta cerca de uma hora.

Carros? Não. Há relatos de ligeiros estacionados perto das lagoas e de jipes a rolar no estradão que sai de Cabril, com acesso perto das coordenadas 41,7774074, -7,9953784.
É tentador, parece curto, mas não é ético nem legal. Circular fora de estrada no PNPG sem autorização é infração. Se ainda assim ponderas, sabes o risco de multa e o impacto. Melhor decisão: caminhadas. Se precisares mesmo de circular, pede autorização prévia ao parque.
Onde dormir. Dois polos clássicos ajudam. Pitões das Júnias, com o mosteiro, lareiras e alojamentos de montanha. Ou Termas do Gerês, para quem quer base com serviços, spa e restaurantes. Reserva com antecedência em época alta. Leva seguro de viagem que cubra atividades ao ar livre e eventuais despesas de saúde.

Checklist rápida. Calçado com sola aderente. Água e snacks. Protetor solar e chapéu. Saco para o lixo. Mapa offline. Respeito pelos trilhos e pelo silêncio. Nada de saltos inconscientes nas lagoas. Rocha molhada é sabão. Não recolhas mariolas. Não faças fogueiras.
Resumo para decidir. Se queres lagoas sem drama, escolhe a via Xertelo‑Lagoas.
Uma hora, cinco quilómetros, paisagem, zero labirintos. Se queres aventura e narrativa, agarra o PR9 MTR.




