Tradição inspirada na rara imagem com bigode do Arcanjo junta crentes este sábado, 4 de julho; jantar admite uso de bigodes naturais ou artificiais
A Paróquia de São Miguel de Cabaços, situada no sul do concelho de Ponte de Lima, promove este sábado, 4 de julho de 2026, a singular Festa dos Bigodes. A iniciativa, que se assume como uma das manifestações de cultura popular e religiosa mais originais da região do Minho, alia a devoção bíblica à confraternização comunitária, tendo como ponto de partida uma imagem raríssima do Arcanjo São Gabriel.
Ao contrário da iconografia tradicional católica, a imagem de São Gabriel venerada na Igreja Paroquial de Cabaços apresenta o anjo representado com um marcante bigode. Este pormenor artístico e histórico de relevo deu origem a uma dinâmica social que atrai dezenas de curiosos e devotos todos os anos.
O jantar dos bigodes: Naturais, pintados ou em máscara
O momento mais aguardado do programa é o tradicional jantar convívio, cujo requisito de entrada é estrito mas inclusivo: é obrigatório o uso de bigode. A organização estende o convite a toda a comunidade — homens, mulheres e crianças —, estipulando que o atributo facial pode ser natural ou artificial (recorrendo a maquilhagem, pinturas, máscaras ou adereços criativos).
Paralelamente ao ambiente de festa, o evento preserva um vincado caráter evangelizador. Antes da refeição, os participantes reúnem-se numa oração comunitária, seguindo-se a leitura partilhada das passagens bíblicas do Evangelho de São Lucas que relatam a anunciação do Arcanjo a Zacarias sobre o nascimento de São João Batista, e o momento em que Zacarias recupera a voz após a imposição do nome ao filho.
Preces pela Paz Mundial na agenda dos fiéis
Na Igreja de Cabaços, onde coabitam as imagens dos três Santos Arcanjos (Miguel, Gabriel e Rafael), o foco litúrgico deste fim de semana centra-se em São Gabriel, o “mensageiro das boas novas”.
Este ano, o momento de culto assume uma vertente de forte preocupação geopolítica. À margem do convívio, a comunidade local vai dirigir uma prece coletiva ao Arcanjo, associando o ato de fé a um pedido global de paz:
“Num tempo marcado por guerras, violência e divisões entre os povos, os fiéis pedirão de forma particular o dom da paz, para que cessem os conflitos, sejam protegidas as vítimas da guerra e prevaleçam o diálogo, a reconciliação e a esperança entre as nações.”
A Festa dos Bigodes consolida-se, assim, no roteiro do património imaterial de Ponte de Lima, provando como a identidade local e as tradições religiosas se podem reinventar através do humor, da inclusão e do espírito de partilha comunitária.





