Dos dois candidatos presidenciais, a quem compraria um carro usado?
Não, não é uma pergunta de tom humorístico, mas uma pergunta com elevada seriedade: entre Seguro e Ventura, a quem confiaria a compra de um automóvel usado?
É por isso que, no próximo dia 8 de fevereiro, quando estiver na cabine de voto, é útil fazer o seguinte exercício ao olhar para o boletim de voto: se não lhe comprava um Seat Ibiza, porque é que lhe vou confiar o meu voto e os destinos da comunidade onde vivo?
Penso que 90% de nós, ao olhar para esse boletim de voto e fazer esse exercício, sabe a quem compraria um automóvel usado — e não seria a Ventura.
Parece um pensamento demasiado simplista, mas não o é.
É a construção mental, a tal imagem a que alguns gostam de se referir, das características intrínsecas que o nosso subconsciente associa a cada candidato, que nos leva a escolher a quem nos sentiríamos confortáveis e seguros para comprar um carro. Dessa construção sai o nosso veredicto interior: quem nos diz a verdade, quem no final do dia fez o melhor que sabia e conseguia para cuidar da casa comum dos portugueses, da coisa pública, e quem não jogou nem ludibriou os demais para obter pequeno lucro.
O automóvel é, para muitos portugueses, um dos maiores investimentos da vida (a seguir à habitação) e também uma das maiores fontes de despesa inesperada (a seguir à saúde). Comprar um carro não é apenas satisfazer necessidades de mobilidade, mas minimizar riscos financeiros a médio e longo prazo, escolhendo a melhor relação Fiabilidade x Custos de Manutenção.
Se procura um automóvel fiável, para quê escolher um que não sabemos se chega aos 5.000 km sem mudar a junta da colassa?
Seria uma má decisão, certo?
Se não escolheria um carro assim para a sua vida, porque escolher um político assim para governar o país?




