Vamos então lidar com as consequências da Guerra do Irão.
Guerras como aquela a que assistimos diariamente nas últimas semanas, quando não levam a uma efetiva mudança de regime têm como um dos mais diretos resultados colocar a parte da população que se posiciona como oposição ao regime ainda em maior perigo.
Pensava que com a Guerra da Ucrânia, ou com a intervenção no Afeganistão ou na Síria, que tínhamos percebido que quando brincamos aos impérios temos de estar preparados para as suas consequências como a criação de forma imediata de potenciais refugiados, quer pelas circunstâncias de o conflito lhes retirar a possibilidade de uma vida normal como a da situação política e a repressão subsequente ser de uma maior violência e crueldade que coloque como única solução abandonar o país.
Tivemos essa experiência com a Síria, para quem não se recorde, quando centenas de milhares de sírios empurrados por uma guerra cívil se fizeram à estrada, literalmente, caminhando milhares de km’s em busca de paz e olhando para o mapa, facilmente percebemos que a distância para o Irão é a mesma.
Não gosto de futurologia, mas com um regime Iranino sobrevivente, mesmo que enfraquecido, uma parte da população apenas terá como única solução de sobrevivência a saída do país.
E não será necessário grande futurologia para adivinhar este cenário.
Então fica a pergunta: Quantos refugiados os partidos portugueses apoiantes desta intervenção dispostos a receber em Portugal? Sim, quantos?
Vimos um regozijo disfarçado com esta intervenção entre esses partidos e com o assasinato do Ayatollah Kahmeni, vimos alguns notáveis desses mesmos partidos a embarcar no discurso “O Direito Internacional que se lixe”, vimos o Ministro dos Negócios Estrangeiros a mentir ao povo português dizendo que não sabia nada dos vôos e vimos o Primeiro-Ministro a reafirmar que Portugal estaria sempre do lado dos seus aliados mas pouca vivacidade vi em apresentar soluções para o impacto da Guerra.
Exceptuando a descida do ISP praticamente mais nada surgiu.
Então, é justo perguntar a estes partidos que programas vamos implementar para conseguir que iranianos consigam sair do país em segurança. Perguntar ao Governo se o regime de requisição de Estatuto de Refugiado e de Imigrante será simplificado para estas gentes , perguntar à IL se irá votar um reforço das verbas disponíveis para fazer face ás necessidades logísticas acrescidas e ao Chega quantos refugiados as suas 3 Câmaras Municiais irão acolher e incorporar.
Penso que sejam perguntas justas, perguntas que obrigam a quem embarca, ou apoia, estas intervenções ter um mínimo sentido estratégico, um sentido mínimo de perceber qual o alcance das nossas acções.
Basicamente qual é o plano para o dia seguinte? O que têm pensado? Quanto nos custará no fim do dia toda esta aventura ao estilo Cowboy de Trump e Netanyahu?
Prometeram que iriam levar a liberdade aos Iranianos, mas a muitos só lhes trarão apenas sofrimento.




