A construção de um novo Centro de Saúde em Esposende, avaliada em cerca de 7 milhões de euros, não vai avançar.
A decisão foi confirmada hoje na reunião de câmara pelo atual executivo liderado por Carlos Silva, que optou por abandonar o projeto herdado do anterior executivo do PSD.
Em alternativa, a autarquia vai avançar “com a requalificação do atual centro de saúde”, afirma Carlos Silva ao E24, numa intervenção que deverá ultrapassar os 3 milhões de euros.
A decisão, que deixou o PSD incrédulo, marca uma mudança de estratégia na área da saúde no concelho.
Mudança de rumo após troca de executivo
O projeto do novo centro de saúde fazia parte das prioridades do anterior executivo social-democrata. Também a residência universitária, prevista para Fão, o assim o era, mas foi outro dos projetos que caiu.
O presidente da Câmara, Carlos Silva, admite que a decisão não foi consensual, mas defende a escolha:
“Não foi uma decisão fácil, mas sabemos para onde vamos e acreditamos nesta opção.”
Reabilitar em vez de construir
A autarquia entende que a solução passa por “modernizar as atuais instalações”, resolvendo “problemas estruturais e melhorando as condições de funcionamento, em vez de avançar com uma nova infraestrutura de raiz”, destaca Carlos Silva.
O foco está agora na execução da obra de requalificação, considerada mais ajustada à realidade financeira e operacional do município. Maio poderá ser a data de arranque do projeto.
PSD critica travão ao novo centro de saúde: “É deitar fora 6 milhões do PRR e comprometer o futuro”
O PSD já veio a público, através do seu líder, António Morgado, criticar a decisão do atual executivo, acusando a Câmara de “deitar fora 6 milhões de euros do PRR” e comprometer o futuro dos cuidados de saúde no concelho.
Em declarações ao E24, António Morgado,não poupou críticas: “Era um investimento fundamental para o concelho na área da saúde. É deitar fora 6 milhões do PRR e deitar fora cuidados de saúde de qualidade à nossa comunidade em infraestruturas devidamente adequadas e a pensar no futuro”
“Uma obra pensada para o futuro”
O PSD defende que o novo centro de saúde era uma resposta estruturante e necessária, apontando que a decisão da Câmara ignora a evolução do concelho.
“É de lamentar que não se veja que esta era uma obra para o futuro, para os próximos anos”, sublinhou António Morgado.
Segundo o partido, a opção pela requalificação do atual edifício — orçada em mais de 3 milhões de euros — não resolve os problemas de fundo.
“A requalificação é uma espécie de remendo, num espaço já atrofiado, sem margem para crescimento, sem estacionamento e sem ter em conta a evolução da cidade”, afirmou.
Dúvidas sobre financiamento e soluções alternativas
Os sociais-democratas levantam ainda dúvidas sobre o financiamento da obra alternativa, alertando que dificilmente será suportada por fundos do PRR.
“Esta obra de 3 milhões dificilmente será suportada pelo PRR. Perguntamos como vai ser financiada”, questiona.
Além disso, o PSD aponta falta de clareza quanto às soluções provisórias ou complementares para garantir resposta à população.
Entre as hipóteses em cima da mesa estarão consultas em centros paroquiais – Palmeira de Faro e Mar – ou até em espaços ligados ao IPCA, cenário que levanta dúvidas.
“Não sabemos se os custos de adaptação desses espaços foram tidos em conta. Há muitas questões por esclarecer”, acrescenta.
Mudança de posição gera estranheza
Outro ponto de crítica prende-se com a posição do atual presidente da Câmara, Carlos Silva, que anteriormente teria manifestado apoio ao projeto.
“É de estranhar que o atual presidente estivesse a favor desta obra e agora mude de opinião”, refere António Morgado.



