O presidente da Câmara de Esposende, Carlos Silva, confirmou ao E24 que a construção de uma residência universitária no concelho, prevista para a vila de Fão, não é, neste momento, uma “prioridade política do executivo”.
Segundo o autarca, a decisão está ligada a critérios de viabilidade financeira e ao facto de o modelo de financiamento não corresponder ao que seria, na prática, um apoio a fundo perdido.
“Não era um financiamento a fundo perdido, mas sim um empréstimo à Câmara a 30 anos”, sublinhou.
Carlos Silva sustenta que, para avançar, seria necessário um estudo sólido que garantisse retorno e sustentabilidade e que, neste momento, essa base não existe: “Não há uma viabilidade financeira ou estudo certo”.
O presidente lembra ainda que o primeiro concurso lançado para o projeto “ficou vazio” e considera que, no contexto atual, há “mais prioridades”.
“É uma questão de decisão política”, afirmou ao E24.
O autarca também relativiza o impacto da falta de alojamento, referindo que os estudantes do IPCA que frequentam o concelho não dependem, em larga maioria, de uma residência em Esposende. “Fala-se em cerca de 170 residentes do IPCA, mas os que vêm para cá têm transporte próprio do IPCA”, disse.
PSD fala em “conquista perdida” e acusa executivo de recuo
Entretanto, o PSD de Esposende reagiu com dureza, através de um comunicado divulgado nas redes sociais, defendendo que o financiamento do PRR para a residência em Fão foi “uma conquista” que colocou Esposende à frente de outros municípios.
Para os sociais-democratas, o projeto seria estruturante para consolidar o ensino superior público, aumentar a fixação de jovens e impulsionar a requalificação urbana e a economia local. O partido afirma que já houve investimento na elaboração do projeto e na aquisição de parte do terreno, considerando que travar a obra representa “um prejuízo e um ato de má gestão”.
O PSD contesta ainda a versão do executivo sobre o concurso: diz que a empreitada “não ficou deserta” e estava em fase final de adjudicação. Conclui que o recuo é político, acusando a Câmara de agir por “questões ideológicas” e interesses eleitorais.




