A pressão no acesso à habitação está a agravar-se no Minho e há um dado que resume o problema: em Esposende, a renda da casa já consome mais de metade do rendimento das famílias.
Em Braga, o cenário aproxima-se rapidamente desse limite e em Barcelos a tendência é a mesma — subida contínua e sem sinais de abrandamento.
Os números constam do mais recente relatório do Banco de Portugal, que analisa a evolução entre 2019 e 2023 e confirma uma deterioração clara da acessibilidade à habitação.
Esposende no limite: mais de 50% do salário vai para a renda
Em Esposende, o indicador de esforço atingiu 53,1% em 2023, quando há quatro anos estava nos 42,9%. Ou seja, em média, mais de metade do rendimento familiar é absorvido pela renda — um patamar considerado crítico e que limita drasticamente a capacidade financeira das famílias.
Este valor coloca o concelho entre os mais pressionados da região, refletindo uma combinação de fatores: aumento da procura, escassez de oferta e valorização do território, cada vez mais procurado para viver.
Braga perto da linha vermelha
Na cidade de Braga, a situação também se agravou. O peso da renda no rendimento mediano subiu para 47,4%, face aos 41,5% registados em 2019.
A capital minhota aproxima-se assim perigosamente da fasquia dos 50%, considerada por especialistas como um nível de esforço elevado e potencialmente insustentável a médio prazo.
Barcelos abaixo, mas a subir
Em Barcelos, o indicador situa-se nos 38,6%, ainda abaixo dos valores de Esposende e Braga, mas com uma tendência clara de crescimento. Há poucos anos, os níveis eram significativamente mais baixos, o que confirma que a pressão imobiliária está a alastrar a todo o território.
Problema generalizado no Minho
Os dados mostram uma subida transversal em praticamente todos os concelhos. Viana do Castelo já atinge 43,8%, Vila Verde 41,2% e Ponte de Lima chega aos 40%.
Mesmo nos territórios com valores mais baixos, a trajetória é a mesma: aumento contínuo e acelerado.
Banco de Portugal deixa alerta
O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, não deixa margem para dúvidas: a habitação tornou-se uma das maiores dificuldades das famílias portuguesas.
A solução, defende, passa por medidas urgentes, nomeadamente o aumento da oferta de habitação e o reforço da habitação social.
No Minho, os números já mostram que o problema deixou de ser uma ameaça — é uma realidade instalada, com impacto direto no dia a dia de milhares de famílias em Esposende, Braga e Barcelos.




