Kremlin afirma que retoma do serviço é possível se a Meta cumprir legislação russa, enquanto a tecnológica denuncia pressão para migração para “app de vigilância” estatal.
A Rússia intensificou esta quinta-feira o cerco às plataformas de comunicação ocidentais, com a remoção dos domínios do WhatsApp do Sistema Nacional de Nomes de Domínio (NDNS) do regulador Roskomnadzor. De acordo com informações avançadas pelo jornal Kommersant, os endereços whatsapp.com e web.whatsapp.com deixaram de ser resolvidos pelos servidores russos, o que significa que os dispositivos no país já não recebem o endereço IP necessário para aceder ao serviço, tornando a aplicação acessível apenas através de redes VPN.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que a retoma total do serviço só será possível se a Meta — classificada pela Rússia como uma organização “terrorista e extremista” desde 2022 — aceitar cumprir a legislação russa e entrar em diálogo com as autoridades. Peskov sublinhou que não haverá hipótese de retorno se a empresa mantiver a sua posição intransigente, justificando a medida com a alegação de que o serviço é utilizado para organizar atividades terroristas e para a prática de fraudes e extorsões contra cidadãos russos.
Em contrapartida, a Meta utilizou a rede social X para denunciar que este bloqueio é um esforço deliberado para empurrar a população para a MAX, uma “super-app” estatal que combina mensagens com serviços governamentais. A empresa norte-americana alertou que isolar mais de 100 milhões de utilizadores de uma comunicação privada e segura é um retrocesso que reduz a segurança real das pessoas. Desde 2025, o governo russo exige a pré-instalação da MAX em todos os novos dispositivos vendidos no país, tornando-a obrigatória para estudantes e funcionários do setor público.
Esta estratégia de substituição tecnológica insere-se na criação de um ecossistema digital russo independente, isolado das redes ocidentais em resposta às sanções económicas e à guerra na Ucrânia. Este isolamento segue o caminho de outras plataformas como o Facebook, Instagram e YouTube, que têm enfrentado restrições severas ou bloqueios totais nos últimos anos. Para uma análise mais profunda sobre o estado da liberdade digital e os perigos da vigilância estatal, recomenda-se a consulta dos dados da Electronic Frontier Foundation (EFF) ou os relatórios de direitos humanos da Amnistia Internacional.




