A União Europeia está a apertar as regras contra o greenwashing e já há sinais de alerta para as empresas portuguesas.
Uma nova ferramenta digital gratuita foi lançada para ajudar as PME a evitar erros antes da entrada em vigor da nova legislação.
A medida surge no âmbito da Diretiva 2024/825, que deverá estar plenamente aplicada em Portugal nos próximos meses e que vai penalizar alegações ambientais enganosas com coimas pesadas.
A plataforma, disponível online, permite analisar websites, rótulos e campanhas publicitárias, identificando expressões proibidas ou potencialmente enganosas. O sistema inclui um scanner automático — capaz de analisar centenas de páginas — e uma ferramenta baseada em inteligência artificial que avalia imagens e mensagens.
Greenwashing: quando as marcas vendem sustentabilidade… mas só no marketing
Os primeiros dados são preocupantes. Uma análise a centenas de empresas indica que o nível de incumprimento pode variar entre 34% e 100%, dependendo do setor. No comércio online com posicionamento “sustentável”, todas as empresas analisadas apresentaram riscos de não cumprir as novas regras.
O problema está sobretudo nas chamadas alegações genéricas: termos como “eco”, “verde”, “sustentável” ou “neutro em carbono” deixam de poder ser usados sem prova concreta. Também imagens aparentemente inofensivas — como folhas ou água — podem ser consideradas enganosas se induzirem o consumidor em erro.
Outro ponto crítico é a compensação de emissões. A partir de agora, não basta plantar árvores para justificar neutralidade carbónica — será exigida redução efetiva do impacto ambiental.
A nova ferramenta surge assim como um “alerta antecipado” para empresas que ainda não adaptaram a sua comunicação. A mensagem de Bruxelas é clara: quem comunicar sustentabilidade sem base real arrisca pagar caro.




