A crescente pressão sobre a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), a falta de respostas para pessoas dependentes e a necessidade urgente de maior articulação entre saúde e apoio social marcaram o encontro promovido pela Unidade Local de Saúde de Barcelos/Esposende (ULSBE), que reuniu mais de 400 profissionais esta sexta-feira, em Barcelos.
O debate, subordinado ao tema “Entre a Clínica e o Social – Desafios Atuais da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados”, acabou por deixar uma conclusão forte: o atual sistema continua incapaz de responder de forma eficaz ao envelhecimento da população e ao aumento de situações de dependência.
Um dos momentos centrais da sessão incidiu precisamente sobre aquilo que vários especialistas consideram ser um problema estrutural da rede: os chamados “casos sociais” que permanecem internados nos hospitais por falta de respostas adequadas fora do contexto hospitalar.
Durante o encontro foi defendido que a expressão “caso social” deve desaparecer, sendo substituída pelo conceito de “internamento inapropriado”, numa mudança de paradigma que pretende assumir que os problemas clínicos e sociais estão diretamente ligados e não podem continuar a ser tratados separadamente.
Os participantes alertaram que muitos hospitais continuam a manter camas ocupadas por doentes sem necessidade clínica de internamento, mas sem alternativa familiar, domiciliária ou institucional para alta segura.
Ao longo da sessão foi também defendida a necessidade de reforçar modelos de proximidade, nomeadamente as Equipas de Cuidados Continuados Integrados (ECCI) e soluções articuladas entre apoio domiciliário e cuidados de saúde, como o modelo “SAD + Saúde”.
Os intervenientes consideram que estas respostas podem reduzir internamentos prolongados, melhorar a qualidade de vida dos utentes e aliviar a pressão sobre os hospitais.
Outro dos alertas deixados no encontro passou pelo fraco avanço do Estatuto do Cuidador Informal, considerado ainda insuficiente para responder às dificuldades enfrentadas diariamente pelas famílias.
Foi igualmente sublinhada a necessidade de maior sensibilização para instrumentos como o testamento vital e o planeamento antecipado da vontade.
A sessão contou com intervenções de Xavier Barreto, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Paula Guimarães, jurista, Ana Paula Pereira, técnica superior da Segurança Social, e Abel Paiva, coordenador da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados.
O encontro aconteceu a poucos dias da comemoração dos 20 anos da RNCCI e terminou com um consenso alargado entre os participantes: sem reforço da articulação entre saúde, setor social e comunidade, a rede continuará sob enorme pressão nos próximos anos.





