A Universidade do Minho entregou, pela primeira vez, a Medalha de Honra da instituição.
Os distinguidos foram Ricardo Rio e Domingos Bragança, ex-presidentes das câmaras de Braga e Guimarães, reconhecidos por aquilo que o reitor classificou como uma cooperação “rara” no panorama nacional entre municípios e academia.

A cerimónia decorreu no salão nobre da reitoria, completamente lotado, e contou com a presença dos atuais autarcas dos dois concelhos, João Rodrigues e Ricardo Araújo, bem como do próximo reitor da UMinho, Pedro Arezes.
Uma cooperação “verdadeiramente essencial”
Ao receber a distinção, Ricardo Rio sublinhou que, ao longo dos seus três mandatos, procurou explorar “o enormíssimo manancial de oportunidades de cooperação entre uma universidade e o seu território”. Para o ex-autarca bracarense, esta colaboração “tem de ser contínua e estimulada”, defendendo que os municípios só têm a ganhar quando trabalham lado a lado com a instituição de ensino superior que molda grande parte da vida económica e social da região.
Rio aproveitou ainda para anunciar, a título pessoal, a criação do Prémio Moura Machado, destinado a destacar projetos de cooperação entre a UMinho e a cidade de Braga. O galardão terá um valor anual de 1 500 euros até 2029.
Domingos Bragança, que liderou o município de Guimarães durante igual período, destacou a “forte convicção” de que as universidades são peças centrais na produção de conhecimento, na formação e no desenvolvimento regional. Reconheceu que “foi bastante o que conseguimos”, mas admitiu que “é grande ainda o caminho a fazer” para consolidar Guimarães como “cidade universitária e da ciência”.

Reitor elogia visão estratégica conjunta
O reitor Rui Vieira de Castro foi claro ao assinalar o caráter excecional da relação entre a UMinho e os dois municípios. “É raro encontrar, a nível nacional, um exemplo de cooperação estratégica tão estreita”, afirmou. Para o reitor, Braga e Guimarães perceberam “desde cedo” que uma universidade forte potencia “cidades e municípios fortes”.
Dirigindo-se aos homenageados, Vieira de Castro sublinhou que a ação política de Ricardo Rio e Domingos Bragança contribuiu para consolidar a UMinho como “motor de desenvolvimento da região”. Acrescentou ainda que ambos os municípios funcionam como “municípios-âncora” da atividade educativa, científica, cultural e social da instituição.
Projetos que marcaram a última década
A cooperação entre a universidade e os dois concelhos materializou-se em vários projetos de impacto visível.
Em Guimarães, o reitor destacou:
construção do Instituto Cidade de Guimarães;
reabilitação do Teatro Jordão e da Garagem Avenida, hoje casa dos cursos de Artes Visuais e Teatro;
instalação do curso de Engenharia Aeroespacial em edifício próprio;
construção da Residência Universitária de S. Luzia.
Em Braga, foram assinalados:
recuperação do Edifício do Castelo;
transformação da antiga Fábrica Confiança em residência universitária;
instalação da Unidade de Arqueologia no Convento de S. Francisco de Real.
Para o reitor, estes projetos exemplificam a convergência estratégica entre municípios e universidade, uma relação que espera ver reforçada nos próximos anos




