Presidente Luís Nobre assegura que a construção do novo Mercado Municipal avança em paralelo com as escavações arqueológicas; Igreja e claustros serão valorizados e candidatos a classificação nacional
O Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís Nobre, realizou esta quarta-feira uma visita técnica às escavações arqueológicas que decorrem no terreno destinado ao novo Mercado Municipal. O autarca garantiu que a intervenção está a ser conduzida com o máximo rigor técnico e científico para preservar, através do registo detalhado, os vestígios das estruturas não religiosas do antigo Convento de São Bento, fundado no século XVI. Luís Nobre recordou que a decisão histórica de demolir as partes menos representativas do convento para criar o primeiro mercado da cidade remonta a 1891, tendo a autarquia atual o compromisso de documentar o que resta dessas fundações antes da nova fase de construção.
As escavações arqueológicas, coordenadas pela Unidade de Arqueologia do município, já abrangem uma área de mil metros quadrados e revelaram dormitórios, enfermarias e áreas técnicas do antigo cenóbio. O trabalho prosseguirá nos próximos meses com o alargamento da área de intervenção aos arruamentos envolventes, num processo articulado com a Património Cultural, I.P., a entidade que tutela o setor. O objetivo central é a preservação da memória através do levantamento rigoroso de cinco séculos de história que se encontravam preservados debaixo de terra, permitindo que a evolução natural da cidade se processe sem apagar o conhecimento sobre o seu passado.
O projeto do novo Mercado Municipal, orçado em 13,376 milhões de euros e a cargo da empresa Arlo S.A., mantém-se como uma obra estruturante para a dinamização do centro histórico. O edifício será construído sobre a implantação do antigo Prédio Coutinho e contará com uma área bruta superior a oito mil metros quadrados. O espaço foi concebido para acolher 56 bancas tradicionais num grande átrio central no piso térreo, complementado por áreas comerciais e de serviços num piso superior em mezanino, além de oferecer 91 lugares de estacionamento em cave, seguindo as normas da Direção-Geral das Atividades Económicas para este tipo de infraestruturas.
Paralelamente à construção, a Câmara Municipal pretende elevar a dignidade da Igreja de São Bento e dos seus claustros, as partes mais nobres e preservadas do antigo conjunto conventual. Luís Nobre anunciou a intenção de classificar estes elementos como Monumento de Interesse Público e confirmou que a autarquia irá colaborar com a Diocese de Viana do Castelo na sua reabilitação através do programa municipal Valorizar o Património. Desta forma, o município procura criar um espaço que possa ser usufruído tanto na sua componente religiosa como turística e cultural, integrando o novo mercado na vivência histórica da cidade.



