Município projeta rede de serviços para uma população de 48 mil residentes, equilibrando o sucesso na infância com a pressão do envelhecimento
O Município de Vila Verde aprovou a Carta Social 2026-2030, um documento estratégico fundamental para o planeamento da rede de serviços e equipamentos sociais do concelho nos próximos cinco anos. O plano, validado pelo Conselho Local de Ação Social (CLAS) sob a liderança da presidente Júlia Rodrigues Fernandes, surge num momento de transformação demográfica, onde o crescimento impulsionado pela imigração coexiste com um envelhecimento acentuado da população local.
Após uma década de perda populacional, Vila Verde inverteu a tendência e estima-se que conte agora com 48.150 residentes. No entanto, o desafio estrutural é evidente: o índice de envelhecimento fixa-se nos 174 idosos por cada 100 jovens, exigindo uma adaptação rápida e eficaz das respostas sociais no território.

Infância como caso de sucesso e pressão na terceira idade
Vila Verde destaca-se a nível regional no apoio às famílias e às camadas mais jovens. Em 2023, a taxa de cobertura de creches atingiu os 57,8%, superando significativamente a média nacional de 52,2%. A rede está consolidada com 96 equipamentos distribuídos por 30 freguesias.
Por outro lado, o setor da terceira idade e deficiência enfrenta uma pressão elevada que a nova Carta Social pretende mitigar:
- Taxa de ocupação: As Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) e os Centros de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI) apresentam ocupações superiores a 90%.
- Listas de espera: A elevada procura resulta em pressão sobre as famílias, o que motiva a projeção de novos investimentos estruturais até 2030.
- Habitação: O aumento do custo de vida, com valores médios de venda de habitação nos 1.381€/m², foi sinalizado como um fator crítico de vulnerabilidade económica.
Estratégias para o futuro: Inovação e Proximidade
Para responder aos desafios identificados pela equipa do Radar Social, a Carta Social 2026-2030 traça metas assentes na modernização e na descentralização dos serviços:
- Unidades móveis de proximidade: Implementação de serviços itinerantes para apoiar as populações nas freguesias mais isoladas.
- Habitação colaborativa: Promoção de novas soluções habitacionais partilhadas e assistidas para a população sénior.
- Transição digital: Reforço da digitalização das instituições do setor social para garantir respostas mais céleres.
- Combate ao isolamento: Foco na sinalização de idosos em situação de solidão e na mitigação da insuficiência económica dos agregados.
Este documento representa um compromisso coletivo com a dignidade e inclusão, preparando Vila Verde para ser um território mais resiliente e socialmente responsável na próxima década.




