Yolanda Hopkins voltou a fazer o que melhor sabe: entrar cedo no mar — e sair por cima. A surfista portuguesa estreou-se a vencer no Championship Tour (CT), ao garantir o triunfo no primeiro heat em Margaret River, na Austrália, confirmando o impacto da sua chegada à elite mundial.
A algarvia de 26 anos entrou em ação ainda ao nascer do dia, cenário onde já se tornou conhecida no circuito. O hábito de madrugar não é novo e já surpreendeu nomes como Gabriel Medina, que a encontrou a sair da água ainda de noite. Desta vez, a estratégia voltou a resultar.
Com um score de 12,67 pontos, Hopkins superou a costa-riquenha Brisa Hennessy (9,33) numa bateria marcada pela consistência. Apanhou cinco ondas e manteve um ritmo intenso, regressando rapidamente ao pico após cada manobra, num mar exigente e com fundo rochoso.

No final, não escondeu a emoção. “Ganhar um heat no CT é de loucos”, afirmou, antes de deixar uma mensagem em português para quem acompanhava em casa — e um apelo direto: apoio à compatriota Francisca Veselko, que ainda estava em competição.
O pedido teve efeito. Também Veselko, de 22 anos, venceu a sua bateria frente à norte-americana Bell Kenworthy (10,00 contra 9,50), garantindo presença na ronda seguinte.
Duas portuguesas seguem assim em prova na etapa australiana, num sinal claro do crescimento do surf nacional no feminino.
Apesar da vitória, Hopkins não saiu ilesa. Um corte no pé, provocado pelo contacto com a rocha, marcou os dias anteriores à prova. Ainda assim, a surfista desvalorizou a lesão: dentro de água, garante, não sente limitações.
Na próxima fase, os desafios sobem de nível. Yolanda vai enfrentar a norte-americana Gabriela Bryan, enquanto Veselko terá pela frente Caroline Marks, campeã mundial e olímpica.
Portugal está dentro — e a dar luta — no palco maior do surf mundial.




